Espanha – O preço do leite tem queda de até 15% por pressão da distribuição
Preços/Espanha – As promoções agressivas do leite que estão sendo realizadas por várias cadeias de distribuição nas últimas semanas colocam em risco a viabilidade das fazendas produtoras de leite de Andaluzia, na Espanha, ao oferecer baixas temerárias do preço, ignorando os custos de produção. Cooperativas Agroalimentares de Andaluzia consideram isto uma “prática recorrente”, que causa grande prejuízo à cadeia alimentar, em especial, às cooperativas.

Desde o início do verão, a federação observou como são realizadas as reduções, que variam entre 10% e 15% em relação ao primeiro semestre do ano, sem nenhuma justificativa, pois é precisamente a temporada em que as fazendas são menos produtivas. Juan Rafael Leal, conselheiro da Cooperativa Agroalimentar de Andaluzia e presidente da Organização de Produtores de Leite do Sul, explica que o setor da distribuição força a queda de preço do leite de produção nacional, à margem da Lei da Cadeia Alimentar que impede vender abaixo dos custos.
“Este é um exemplo a mais de que a Lei da Cadeia tem graves deficiências que precisam ser corrigidas, pois com situações tão flagrantes como as que estamos vendo, não existem consequências”, destacou. Também lembrou que desde que foi iniciada a guerra na Ucrânia o setor está sendo impactado pela elevação constante dos custos de energia, mão de obra e mais especialmente de rações. Tudo isso faz com que os pecuaristas tenham cada vez mais dificuldades para manter a atividade.
Assim, declarou que “o leite é um produto utilizado pela distribuição para campanhas que atraiam a atenção dos consumidores, mas que são muito lesivas à cadeia de alimento, mais especificamente para o setor pecuário”. De fato, é necessário apelar para a sensibilidade da indústria para que deixe de forçar baixas de preços que terminam pondo em risco a atividade das fazendas.
Juan Rafael Leal destaca que a tudo isso se soma a ameaça de veto da China à importação de produtos lácteos europeus como resposta às tarifas anunciadas por Bruxelas que incidirão sobre os veículos elétricos. A medida “poderá gerar um excesso de produção em toda União Europeia”, impactando no preço de referência.
















