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Especiais Selectus nº 7389

Fazenda flutuante holandesa fecha devido um piso inovador

O material procedente da Alemanha não é reconhecido nos Países Baixos.

Fonte: Apresentação: Terra Viva Foto de capa: Amir Deljouyi on Unsplash
Fazenda flutuante holandesa fecha devido um piso inovador

A inovadora fazenda flutuante, Floating Farm, atracada em um porto de Roterdão na Holanda, está encerrando suas operações. Embora sua licença só expire em 2029, questões regulatórias em torno do piso dos estábulos não deixaram alternativa aos empreendedores Peter e Minke van Wingerden, a não ser vender o empreendimento mais cedo do que o esperado.

A Floatig Farm tem hoje 28 vacas de leite em seus estábulos. Os empreendedores estabeleceram a fazenda para demonstrar que é possível produzir alimentos sustentáveis, perto dos consumidores e sem a tradicional necessidade de terras agrícolas.

As vacas são alimentadas com resíduos de alimentos das empresas da cidade, como cevada das cervejarias de Roterdã, farelo de trigo, cascas de batata e grama coletada das quadras de esportes. Os produtos lácteos e o leite produzidos na fazenda flutuante são vendidos localmente, enquanto o esterco é transformado em pellets que são aplicados como fertilizantes nos parques da cidade. As vacas produzem aproximadamente 6.200 kg de leite por ano.

O piso de baixa emissão

Aproximadamente um ano e meio atrás, os empreendedores decidiram substituir o piso do galpão.

“O piso de baixa emissão começou a apresentar deformações e prejudicando o funcionamento adequado do robô de limpeza”, explica Minke van Wingerden. “Por isso decidimos trocar. O novo piso, fabricado na Alemanha, também é de baixa emissão, mas não é certificado nos Países Baixos. Monitoramos as emissões do galpão e confirmamos que elas permanecem dentro dos limites legais, e presumimos que isso seria levado em consideração. Mesmo porque, o governo havia expressado sua intenção de avançar para uma regulamentação baseada no desempenho ambiental”.

No entanto, este não foi o caso. A Agência Rijnmond de Proteção Ambiental (DCMR) impôs sanções porque o piso alemão não tinha certificação. Os empreendedores apelaram da decisão.

“A partir de 18 de agosto, o DCMR irá aplicar as normas. Depois de três visitas dos fiscais eles poderão aplicar multas que chegam a € 24.000. Esse é um risco que não estamos dispostos e em condições de assumir. Poderíamos apresentar mais um recurso, mas temos poucas chances de ter a decisão retificada”, explica van Wingerden. Reinstalar o piso anterior, que era certificado, não é uma opção viável. “O novo piso tem um bom desempenho. Não era o que queríamos conseguir”, perguntou ela.

Licenças

Além disso, o direito de a Floating Farm permanecer no porto de Roterdão expira em menos de 18 meses, 30 de junho de 2029. E, por motivos pouco claros, não é possível obter a prorrogação.

No entanto, a Autoridade do porto de Roterdã informou que a licença para a Floating Farm foi em caráter temporário, e recebeu uma autorização especial de 10 anos. Além disso, a autoridade considera inadequada a permanência, por longo prazo, de uma fazenda leiteira em um porto industrial.

A licença municipal também está prestes a vencer. O resultado é que as vacas estão sendo vendidas e já encontramos compradores.

Van Wingerden rejeita veementemente as alegações do Partido dos Animais (PvdD) de que a Floating Farm está encerrando suas atividades por querer deixar de produzir alimentos de origem animal. Segundo ela, tais alegações são totalmente infundadas. O PvdD já realizou campanhas contra a empresa em diversas ocasiões.

O que vem agora?

O futuro das instalações da Floating Farm ainda é incerto. Há interesse de compradores internacionais no estábulo flutuante, embora ele também possa ser transferido para outro local nos Países Baixos.

Outra possibilidade é dar continuidade às atividades de agricultura vertical no local – onde plantas e ervas são cultivadas sob a estrutura flutuante. Existe também potencial para desenvolver unidades residenciais nas instalações existentes. Várias opções estão sendo consideradas, disse Van Wingerden.

Plantando uma ideia

Embora Van Wingerden lamente o encerramento do negócio, ela acredita que o projeto, ainda assim, alcançou seu objetivo.

“Fizemos isso pelos nossos filhos, para mostrar que é possível produzir alimentos de forma sustentável perto da cidade. O sistema atual de transporte de alimentos por longas distâncias é lucrativo para muitas pessoas, mas não é sustentável a longo prazo”, disse ela.

Nos últimos sete anos, milhares de visitantes de todo o mundo visitaram a Floating Farm para aprender sobre a fazenda urbana. “Pelo menos fomos capazes de produzir alimentos desta forma, por 7 anos”, disse ela com determinação.

Ela também expressou sua simpatia por outros agricultores que enfrentam desafios similares.

“Nossa história está obtendo ampla atenção da mídia, mas ao mesmo tempo, há muitos agricultores enfrentando exatamente os mesmos problemas e sendo forçados a para devido licenciamentos ambientais. Espero que nossa história possa encorajá-los e mostrar-lhes que certamente não estão sozinhos”.

Matéria na íntegra.

Fonte: Food & AgriBusiness   Tradução livre: www.terraviva.com.br

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