Fazenda flutuante holandesa fecha devido um piso inovador
O material procedente da Alemanha não é reconhecido nos Países Baixos.

A inovadora
fazenda flutuante, Floating Farm, atracada em um porto de Roterdão na Holanda,
está encerrando suas operações. Embora sua licença só expire em 2029, questões
regulatórias em torno do piso dos estábulos não deixaram alternativa aos
empreendedores Peter e Minke van Wingerden, a não ser vender o empreendimento
mais cedo do que o esperado.
A
Floatig Farm tem hoje 28 vacas de leite em seus estábulos. Os empreendedores
estabeleceram a fazenda para demonstrar que é possível produzir alimentos
sustentáveis, perto dos consumidores e sem a tradicional necessidade de terras
agrícolas.
As vacas
são alimentadas com resíduos de alimentos das empresas da cidade, como cevada
das cervejarias de Roterdã, farelo de trigo, cascas de batata e grama coletada das
quadras de esportes. Os produtos lácteos e o leite produzidos na fazenda
flutuante são vendidos localmente, enquanto o esterco é transformado em pellets
que são aplicados como fertilizantes nos parques da cidade. As vacas produzem
aproximadamente 6.200 kg de leite por ano.
O piso
de baixa emissão
Aproximadamente
um ano e meio atrás, os empreendedores decidiram substituir o piso do galpão.
“O piso
de baixa emissão começou a apresentar deformações e prejudicando o
funcionamento adequado do robô de limpeza”, explica Minke van Wingerden. “Por
isso decidimos trocar. O novo piso, fabricado na Alemanha, também é de baixa
emissão, mas não é certificado nos Países Baixos. Monitoramos as emissões do
galpão e confirmamos que elas permanecem dentro dos limites legais, e
presumimos que isso seria levado em consideração. Mesmo porque, o governo havia
expressado sua intenção de avançar para uma regulamentação baseada no
desempenho ambiental”.
No
entanto, este não foi o caso. A Agência Rijnmond de Proteção Ambiental (DCMR)
impôs sanções porque o piso alemão não tinha certificação. Os empreendedores
apelaram da decisão.
“A
partir de 18 de agosto, o DCMR irá aplicar as normas. Depois de três visitas
dos fiscais eles poderão aplicar multas que chegam a € 24.000. Esse é um risco
que não estamos dispostos e em condições de assumir. Poderíamos apresentar mais
um recurso, mas temos poucas chances de ter a decisão retificada”, explica van
Wingerden. Reinstalar o piso anterior, que era certificado, não é uma opção
viável. “O novo piso tem um bom desempenho. Não era o que queríamos conseguir”,
perguntou ela.
Licenças
Além
disso, o direito de a Floating Farm permanecer no porto de Roterdão expira em menos
de 18 meses, 30 de junho de 2029. E, por motivos pouco claros, não é possível
obter a prorrogação.
No
entanto, a Autoridade do porto de Roterdã informou que a licença para a Floating
Farm foi em caráter temporário, e recebeu uma autorização especial de 10 anos.
Além disso, a autoridade considera inadequada a permanência, por longo prazo, de
uma fazenda leiteira em um porto industrial.
A
licença municipal também está prestes a vencer. O resultado é que as vacas
estão sendo vendidas e já encontramos compradores.
Van
Wingerden rejeita veementemente as alegações do Partido dos Animais (PvdD) de
que a Floating Farm está encerrando suas atividades por querer deixar de
produzir alimentos de origem animal. Segundo ela, tais alegações são totalmente
infundadas. O PvdD já realizou campanhas contra a empresa em diversas ocasiões.
O que
vem agora?
O futuro
das instalações da Floating Farm ainda é incerto. Há interesse de compradores
internacionais no estábulo flutuante, embora ele também possa ser transferido
para outro local nos Países Baixos.
Outra
possibilidade é dar continuidade às atividades de agricultura vertical no local
– onde plantas e ervas são cultivadas sob a estrutura flutuante. Existe também
potencial para desenvolver unidades residenciais nas instalações existentes. Várias
opções estão sendo consideradas, disse Van Wingerden.
Plantando
uma ideia
Embora
Van Wingerden lamente o encerramento do negócio, ela acredita que o projeto,
ainda assim, alcançou seu objetivo.
“Fizemos
isso pelos nossos filhos, para mostrar que é possível produzir alimentos de
forma sustentável perto da cidade. O sistema atual de transporte de alimentos
por longas distâncias é lucrativo para muitas pessoas, mas não é sustentável a
longo prazo”, disse ela.
Nos últimos
sete anos, milhares de visitantes de todo o mundo visitaram a Floating Farm
para aprender sobre a fazenda urbana. “Pelo menos fomos capazes de produzir
alimentos desta forma, por 7 anos”, disse ela com determinação.
Ela
também expressou sua simpatia por outros agricultores que enfrentam desafios
similares.
“Nossa história
está obtendo ampla atenção da mídia, mas ao mesmo tempo, há muitos agricultores
enfrentando exatamente os mesmos problemas e sendo forçados a para devido licenciamentos
ambientais. Espero que nossa história possa encorajá-los e mostrar-lhes que
certamente não estão sozinhos”.
Fonte: Food
& AgriBusiness Tradução livre: www.terraviva.com.br
















