O Índice FAO do Preço dos Alimentos sobe em meio às preocupações com o clima, energia e geopolítica
O declínio dos índices de lácteos e carne foi ofuscado pela alta do açúcar, cereais e óleos vegetais.

O Índice FAO
de Preços de Alimentos (FFPI), que acompanha os preços de uma cesta de alimentos
comercializados no mercado mundial, subiu em julho, em meio às ondas de calor e
a dinâmica dos preços de energia que elevaram as cotações de cereais, óleos
vegetais e açúcar, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas
para a Alimentação (FAO).
O FFPI
atingiu a média de 131,1 pontos em julho de 2026, aumento de 0,6% na comparação
com o mês anterior e 1% mais alto na comparação com o nível de um ano atrás.
O
Índice FAO dos produtos lácteos atingiu a média de 116,2 pontos em julho, queda
de 0,8 pontos (0,7%) em relação a junho, ficando 38,4 pontos (24,8%) abaixo do
nível de julho de 2025, e manteve a tendência de baixa observada desde abril. O
declínio foi reflexo das menores cotações da manteiga e dos leites em pó, que
compensaram a modesta recuperação nos preços do queijo. O leite em pó desnatado
(SMP) recuou 3,3% em relação a junho, diante das grandes disponibilidades exportáveis
existentes na União Europeia (UE) e Oceania, associado com a postura cautelosa
dos compradores depois dos aumentos anteriores. No entanto, o SMP continua
sendo o único produto lácteo que foi negociado acima do valor de julho de 2025.
O preço do leite em pó integral (WMP) declinou 3,1% diante da menor demanda de
importação, particularmente da China, que continuou a superar as compras firmes
do Sudeste Asiático e Oriente Médio, e do aumento da concorrência que adicionou
mais pressão sobre as suas cotações. Os preços da manteiga recuaram 2,4%, diante
da melhora na oferta de gordura do leite e expansão dos estoques exportáveis e que
resultaram em menor pressão sobre os mercados, particularmente na Europa. Em
sentido contrário seguiu o índice do preço do queijo que aumentou 1,7%,
registrando o primeiro aumento mensal desde julho de 2025. A oferta mais
restrita de leite impulsionou as cotações do produto, especialmente na UE,
compensando a contínua queda de preços na Oceania, onde o mercado de queijos
permaneceu sob pressão devido à ampla oferta exportável e à concorrência
intensa dos Estados Unidos da América (EUA).
Caiu junto com os produtos lácteos, o índice FAO
de carne. Todos os outros subiram.
O Índice FAO de carnes recuou 2,8% em
relação ao nível recorde de junho, registrando o primeiro mês de declínio no
ano. Os preços internacionais de aves recuaram, em grande parte devido às
cotações menores no Brasil em meio à ampla oferta para exportação, enquanto as
cotações da carne suína caíram em decorrência da oferta abundante na UE. A
demanda mais fraca da Ásia fez os preços da carne bovina se acomodarem,
enquanto os preços da carne ovina alcançaram um novo recorde de alta, pressionado
pela persistente baixa oferta exportável na Oceania.
O
Índice FAO dos cereais aumentou 3,4% em relação a junho, revertendo o
declínio de maio, e ficando 6,9% acima do nível de julho de 2025. Os preços
globais do trigo saltaram 5,8% pressionados pelas crescentes preocupações quanto
às interrupções dos embarques na região do Mar Negro e as recentes ondas de
calor que podem impactar na colheita da produção em importantes países
produtores. Os preços do milho cresceram 3,6%, apoiado nas preocupações com o
tempo quente e seco em partes dos EUA e a ampliação dos efeitos do mercado de
energia diante das tensões geopolíticas. O índice FAO de todos os tipos de
arroz ficou estável em julho de 2026.
O Índice FAO de óleos vegetais subiu 2,0% em
relação a junho, alcançando o mais alto nível desde junho de 2022. As cotações
internacionais do óleo de palma subiram, em decorrência da firme demanda da Indonésia
pelo setor de biodiesel e elevação dos preços do óleo cru. Os preços mundiais
do óleo de soja também subiram impulsionados pela persistente demanda de matéria-prima
nos EUA e grande demanda global de importação, favorecendo uma forte concorrência
global. Os preços dos óleos de girassol e de colza recuaram.
O índice FAO do preço do açúcar aumentou 5,6% em
julho, anulando o declínio de junho, devido às preocupações com os potenciais impactos
do persistente tempo seco e quente nas colheitas da UE e as condições
meteorológicas adversas trazidas pelo fenômeno El Niño nas produções de países
importantes da Ásia. As expectativas da forte demanda por etanol no Brasil
decorrente do aumento temporário da mistura obrigatória à gasolina, procurando
equilibrar os preços, também exerceram pressão sobre as cotações do açúcar, mas
que foram atenuadas com as condições mais favoráveis das colheitas nas
principais regiões produtoras do Centro-Sul brasileiro.
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Fonte: FAO
– Tradução livre: Terra Viva
















