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Risco oculto: o esterco foi identificado como foco de genes resistentes aos antibióticos

Resultado de 14 anos de análise de estercos procedentes de 26 países.

Fonte: Apresentação: Terra Viva Imagem de capa: WikiImages por Pixabay
Risco oculto: o esterco foi identificado como foco de genes resistentes aos antibióticos

Um abrangente estudo internacional da Universidade Estadual de Michigan (MSU) com pesquisadores parceiros, detectou que o esterno de animais ao redor do mundo está repleto de genes de resistência a antibióticos que podem ameaçar a saúde humana.Foram 14 anos analisando mais de 4.000 amostras de esterco de suínos, aves e bovinos. Os pesquisadores descobriram que o esterco de animais de criação é um importante reservatório de genes de resistência a antibióticos (ARGs, na sigla em inglês), alguns dos quais podem ser transferidos para bactérias que infectam humanos, que podem chegar por meio da água, dos alimentos ou do ar contaminado, causando infecções comuns que se tornam difíceis, ou até impossíveis de serem tratadas.

“Esta pesquisa mostra que o que acontece nas fazendas não fica limitado”, disse James Tiedje, especialista em microbiologia de renome mundial da MSU e um dos autores do estado. “Genes dos estercos podem chegar à água que bebemos, ao alimento de nosso dia e às bactérias que causam doenças”.

Para melhor compreender o risco, os pesquisadores elaboraram um mapa global destacando as regiões onde a resistência aos antibióticos é mais comum. Eles também desenvolveram um novo sistema de classificação dos genes que representam maior risco à saúde humana, especialmente aqueles que de maior mobilidade, de difícil tratamento e já presentes em, ou propensos a serem transferidos para bactérias causadoras de doenças.

“Já é conhecido que DNA de alguns genes resistentes a antibióticos estão disseminados no solo, na água e no esterco, mas eles representam mesmo um risco”, disse Tiedje, professor dos Departamentos de Microbiologia, Genética e Imunologia e de Ciências, de Plantas, Solos e Microrganismos da MSU. “Mas fomos além, buscando determinar se esses genes têm mobilidade para chegarem às bactérias nocivas associadas a problemas de saúde.  É precisamente esse fato que os tornam um risco real”.

Segundo Xun “Shawn” Qian, professor da Universidade de Agricultura e Florestas da Universidade de Yangling, da China, e um dos autores do estudo, o esterco do rebanho pode representar um indicador importante para detectar os primeiros sinais de proliferação de genes de resistência aos antibióticos, oferecendo assim, aos sistemas de saúde pública, uma oportunidade fundamental para intervir a tempo.

“Nossa descoberta destaca a necessidade de monitorar e gerenciar os riscos relacionados à resistência a antibióticos nos principais países detentores de rebanhos”, disse ele.

“Por exemplo, os Estados Unidos como um grande produtor mundial de carne bovina, possui uma abundante e diversificada quantidade de genes de resistência a antibióticos no esterco bovino em comparação com outros países. Da mesma forma, a China, maior produtora mundial de carne suína, apresenta abundância de bactérias, diversificadas e de risco geral de resistência no esterco suíno, superando todas as outras nações incluídas em nossa análise.

Matéria na íntegra.

Fonte: The Dairy Site  Tradução livre: www.terraviva.com.br

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