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Especiais Selectus nº 7399

A revolução silenciosa da cadeia leiteira Paraibana (2004-2024)

Ao longo das últimas duas décadas, a pecuária leiteira da Paraíba protagonizou uma transformação estrutural profunda, abandonando o extrativismo primário e ascendendo a um patamar de industrialização e eficiência inéditos.

Fonte: Dados - IBGE: Elaboração www.terraviva.com.br, foto de capa -Autor: jamily Chaves
A revolução silenciosa da cadeia leiteira Paraibana (2004-2024)

Nos primeiros doze anos da série histórica (2004 a 2016), o setor ensaiava seus primeiros passos de modernização: a produtividade cresceu 5,67%, enquanto o rebanho e o volume produzido avançaram, respectivamente, 24,8% e 29,9%. Contudo, o verdadeiro salto qualitativo ocorreu nos anos à frente  (2016 a 2024), quando a produtividade disparou 40,9%, o rebanho ampliou-se em 35,8% e a produção total de leite experimentou uma escalada vigorosa de 91,5%, evidenciando um ganho de escala sem precedentes.

Esse dinamismo reflete-se com contundência nos números da captação e do beneficiamento. O total de leite adquirido no estado saltou de 34,1 milhões em 2004, para 102,7 milhões de litros  em 2024, um incremento de 201,1%. O processamento sob o Sistema de Inspeção Federal (SIF) testemunhou uma verdadeira revolução, multiplicando-se por mais de nove vezes — de 6,2 milhões para 58,3 milhões de litros, o que representa uma alta estratosférica de 840%. Paralelamente, o Sistema de Inspeção Estadual (SIE) consolidou sua relevância, evoluindo de 21,8 milhões para 44,4 milhões de litros processados, com crescimento de 104%.

Entretanto, ao justapor a produção total de 2024, que segundo o IBGE foi de 341,8 milhões de litros, ao volume processado sob os regimes fiscalizados — que somam 102,1 milhões de litros —, percebe-se que menos de um terço da produção estadual percorre os circuitos formais de inspeção. Tal discrepância, no entanto, exige rigor analítico. De um lado, a ausência de dados do Sistema de Inspeção Municipal (SIM), não divulgados pelo IBGE para o período; de outro, a inexistência de registros sobre eventuais exportações de leite cru ou resfriado para estados limítrofes — lacunas que nos privam de uma fotografia completa do destino da produção.

Diante disso, a prudência  nos impede de inferir, com exatidão, a extensão da informalidade ou da formalidade remanescente. O que os números, com sua eloquência fria, nos autorizam a afirmar é a inequívoca tendência de sofisticação mercadológica. O crescimento vertiginoso do processamento sob inspeção — especialmente no âmbito federal — não é um mero acaso estatístico, mas um robusto termômetro da migração do leite paraibano para canais mais tecnificados e exigentes. Mais do que isso, o fato de o processamento industrial ter mais que triplicado no período consolida, de maneira irrefutável, a expressiva agregação de valor ao leite produzido na Paraíba, demarcando uma nova era de competitividade e relevância econômica para o estado no cenário nacional.



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