Como a indústria de laticínios dos EUA aumentará a produção em 6,8 MT até 2030, com metade das fazendas
Enquanto o número de fazendas cai, uma onda de investimentos demonstra um otimismo sem precedentes.

Um
número colossal: US$ 13 bilhões.
Esse é o
montante que as indústrias de laticínios dos Estados Unidos da América (EUA)
estão destinando na construção e expansão da capacidade instalada em 19 estados
do país – uma onda de investimento da indústria que não era vista há décadas. Uma
aposta no futuro em que os consumidores do mundo inteiro estarão ávidos por
proteínas lácteas, uma tendência que remodela a paisagem da agricultura
estadunidense.
“O mais
importante nessa história, é que as indústrias de laticínios estão investindo
bilhões de dólares em novas plantas, projetos de expansão e modernização,
confiando nas perspectivas de longo prazo”, declarou Michael Dykes, Presidente
da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA).
Mas
existe aqui um paradoxo: Enquanto a capacidade de processamento explode, o
número de fazendas leiteiras continua caindo. A indústria se prepara para
produzir 6,8 milhões de toneladas (15 bilhões de libras) a mais de lácteos até
2030, com um número reduzido de fazendas, jamais visto.
É uma
transformação que levanta questões fundamentais acerca do futuro do setor
lácteo dos EUA: Como será produzido esse leite? De onde ele virá? Será resiliente
e sustentável uma indústria que caminha para uma consolidação?
A
revolução das proteínas estimulando a demanda
O ‘boom’
de investimentos não ocorre de forma isolada. Ele responde a mudanças profundas
nos hábitos alimentares dos estadunidenses – e do mundo.
O
consumo per capita de leite nos EUA alcançou o recorde de 661 pounds, [300 kg],
em 2023, impulsionado pelo ressurgimento da demanda por queijo e manteiga. O
consumo per capita de queijo dobrou em 50 anos. E pela primeira vez, desde
2009, o consumo de leite fluído cresceu.
O ‘boom’
do queijo cottage ilustra esta tendência em pequena escala: as vendas cresceram
20% no período de um ano, encerrado em junho de 2025, de acordo com a Circana.
Não foi a nostalgia que impulsionou as vendas. Foi uma combinação de nutrição
rica em proteínas incentivada por redes sociais fazendo com que os consumidores
fossem em busca de alimentos com ingredientes reconhecíveis.
“A
demanda dos consumidores por alimentos saudáveis e ricos em proteínas fez
ressurgir as vendas de produtos lácteos, incluindo iogurte, queijo cottage, derivados
de leite, proteínas de soro de leite em pó (whey protein) e muitos outros”,
afirma Dykes.
E isto
não somente no âmbito doméstico. Os produtos lácteos dos EUA encontram compradores
e consumidores na América do Sul e Central, Sudeste da Ásia e Oriente Médio, que
gastam cada vez mais com os produtos lácteos seguros, confiáveis e acessíveis dos
EUA.
O
Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta crescimento das exportações,
em sólidos não gordurosos, de 21,5% em 2027, para 25,2% até 2035. E isto não é
apenas um crescimento percentual, representará mudança fundamental no papel dos
lácteos no sistema alimentar global.
Os cálculos
por trás das 15 bilhões de libras
Como
chegar lá? Como fazer a produção crescer 15 bilhões de libras quando o número
de fazendas leiteiras está em mínimos históricos?
O USDA
projeta que a produção de leite saltará dos 102 bilhões de litros de 2024, para
110,5 bilhões em 2030. Esse crescimento virá de duas fontes: aumento da produtividade
e modesto crescimento do número de vacas, esclareceu Dykes.
O
histórico da produtividade é impressionante. De acordo com o USDA, a produção
de leite por vaca irá de 10.967 quilos, (24.77 libras) em 2024, para 11.615
quilos (25.607 libras) em 2030. Esse acional representará um aumento aproximado
de 6% na produção de leite, em seis anos.
O rebanho
deverá ter crescimento modesto, porém, significativo. As 9,34 milhões de vacas
de 2024 deverão chegar a 9,57 milhões em 2026, com uma leve queda até 2030, quando
serão 9,52 milhões de cabeças.
“Na
perspectiva da IDFA, a prioridade será um crescimento consistente e sustentável
da produção, alinhado com a capacidade industrial instalada e demanda do
mercado”, afirma Dykes.
Onde
estão os mercados em crescimento
“Os mercados
em crescimento variam de acordo com o produto, o que exige uma presença ampla e
relacionamentos sólidos em todo o mundo. Em termos de volume, a América Latina
e o Sudeste Asiático serão duas regiões-chave para os EUA” afirma Will Loux,
vice-presidente do Conselho de Exportação de Lácteos dos EUA (USDA) e da
Federação Nacional dos Produtores de Leite (NMPF).
- A América Latina é próxima e possui uma
população de classe média crescente com aumento do poder de compra. A região
demanda queijos, ingredientes lácteos e contínuo crescimento de produtos de
valor agregado.
- Sudeste
da Ásia representa um dos mercados de maior e mais rápido crescimento do
mundo. Aumento da renda, urbanização e crescimento do consumo de proteínas
impulsionando a demanda por derivados de leite em diversas categorias.
- No Oriente
Médio, mercados como da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos combinam forte
poder de compra, com limitada produção doméstica, criando uma demanda constante
por lácteos importados.
- Austrália,
mesmo sendo um tradicional exportador de lácteos, é um importante mercado para
certos produtos lácteos estadunidense, particularmente ingredientes de alto
valor agregado e queijos especializados.
Resumindo
A
indústria de laticínios dos EUA se prepara para um futuro diferente de seu
passado. Menos fazendas produzirão mais leite. O processamento ficará concentrado
em instalações cada vez maiores, eficientes e mais automatizadas. As
exportações desempenharão um papel central, paralelamente a uma demanda interna
robusta.
É uma transformação
impulsionada pela demanda dos consumidores por proteína, viabilizada pela
tecnologia e pela genética e investimentos sem precedentes.
A
confiança é baseada em evidências do consumo per capita recorde, exportações
crescentes, melhoria na qualidade do leite, ganho de produtividade e cinco anos
de resiliência do setor diante de desafios extraordinários.
A
questão não é se a indústria atingirá seus objetivos. É se todas as variáveis –
produção, processamento, mão de obra, infraestrutura, comércio e demanda de
mercado – se manterão alinhadas.
Se isso
ocorrer, a aposta de US$ 13 bilhões terá valido a pena.
Por
enquanto, no entanto, é uma aposta no crescimento, feita com dinheiro real,
investimentos reais e a firme convicção de que melhores dias virão para a
indústria de laticínios.
Fonte: Dairy
Herd Tradução livre: www.terraviva.com.br
















