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Especiais Selectus nº 7399

Como a indústria de laticínios dos EUA aumentará a produção em 6,8 MT até 2030, com metade das fazendas

Enquanto o número de fazendas cai, uma onda de investimentos demonstra um otimismo sem precedentes.

Fonte: Apresentação: Terra Viva Imagem de capa: Alex Saks on Unsplash
Como a indústria de laticínios dos EUA aumentará a produção em 6,8 MT até 2030, com metade das fazendas

Um número colossal: US$ 13 bilhões.

Esse é o montante que as indústrias de laticínios dos Estados Unidos da América (EUA) estão destinando na construção e expansão da capacidade instalada em 19 estados do país – uma onda de investimento da indústria que não era vista há décadas. Uma aposta no futuro em que os consumidores do mundo inteiro estarão ávidos por proteínas lácteas, uma tendência que remodela a paisagem da agricultura estadunidense.

“O mais importante nessa história, é que as indústrias de laticínios estão investindo bilhões de dólares em novas plantas, projetos de expansão e modernização, confiando nas perspectivas de longo prazo”, declarou Michael Dykes, Presidente da Associação Internacional de Alimentos Lácteos (IDFA).

Mas existe aqui um paradoxo: Enquanto a capacidade de processamento explode, o número de fazendas leiteiras continua caindo. A indústria se prepara para produzir 6,8 milhões de toneladas (15 bilhões de libras) a mais de lácteos até 2030, com um número reduzido de fazendas, jamais visto.

É uma transformação que levanta questões fundamentais acerca do futuro do setor lácteo dos EUA: Como será produzido esse leite? De onde ele virá? Será resiliente e sustentável uma indústria que caminha para uma consolidação?

A revolução das proteínas estimulando a demanda

O ‘boom’ de investimentos não ocorre de forma isolada. Ele responde a mudanças profundas nos hábitos alimentares dos estadunidenses – e do mundo.

O consumo per capita de leite nos EUA alcançou o recorde de 661 pounds, [300 kg], em 2023, impulsionado pelo ressurgimento da demanda por queijo e manteiga. O consumo per capita de queijo dobrou em 50 anos. E pela primeira vez, desde 2009, o consumo de leite fluído cresceu.

O ‘boom’ do queijo cottage ilustra esta tendência em pequena escala: as vendas cresceram 20% no período de um ano, encerrado em junho de 2025, de acordo com a Circana. Não foi a nostalgia que impulsionou as vendas. Foi uma combinação de nutrição rica em proteínas incentivada por redes sociais fazendo com que os consumidores fossem em busca de alimentos com ingredientes reconhecíveis.

“A demanda dos consumidores por alimentos saudáveis e ricos em proteínas fez ressurgir as vendas de produtos lácteos, incluindo iogurte, queijo cottage, derivados de leite, proteínas de soro de leite em pó (whey protein) e muitos outros”, afirma Dykes.  

E isto não somente no âmbito doméstico. Os produtos lácteos dos EUA encontram compradores e consumidores na América do Sul e Central, Sudeste da Ásia e Oriente Médio, que gastam cada vez mais com os produtos lácteos seguros, confiáveis e acessíveis dos EUA.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) projeta crescimento das exportações, em sólidos não gordurosos, de 21,5% em 2027, para 25,2% até 2035. E isto não é apenas um crescimento percentual, representará mudança fundamental no papel dos lácteos no sistema alimentar global.

Os cálculos por trás das 15 bilhões de libras

Como chegar lá? Como fazer a produção crescer 15 bilhões de libras quando o número de fazendas leiteiras está em mínimos históricos?

O USDA projeta que a produção de leite saltará dos 102 bilhões de litros de 2024, para 110,5 bilhões em 2030. Esse crescimento virá de duas fontes: aumento da produtividade e modesto crescimento do número de vacas, esclareceu Dykes.

O histórico da produtividade é impressionante. De acordo com o USDA, a produção de leite por vaca irá de 10.967 quilos, (24.77 libras) em 2024, para 11.615 quilos (25.607 libras) em 2030. Esse acional representará um aumento aproximado de 6% na produção de leite, em seis anos.

O rebanho deverá ter crescimento modesto, porém, significativo. As 9,34 milhões de vacas de 2024 deverão chegar a 9,57 milhões em 2026, com uma leve queda até 2030, quando serão 9,52 milhões de cabeças.

“Na perspectiva da IDFA, a prioridade será um crescimento consistente e sustentável da produção, alinhado com a capacidade industrial instalada e demanda do mercado”, afirma Dykes.

Onde estão os mercados em crescimento

“Os mercados em crescimento variam de acordo com o produto, o que exige uma presença ampla e relacionamentos sólidos em todo o mundo. Em termos de volume, a América Latina e o Sudeste Asiático serão duas regiões-chave para os EUA” afirma Will Loux, vice-presidente do Conselho de Exportação de Lácteos dos EUA (USDA) e da Federação Nacional dos Produtores de Leite (NMPF).

-  A América Latina é próxima e possui uma população de classe média crescente com aumento do poder de compra. A região demanda queijos, ingredientes lácteos e contínuo crescimento de produtos de valor agregado.

- Sudeste da Ásia representa um dos mercados de maior e mais rápido crescimento do mundo. Aumento da renda, urbanização e crescimento do consumo de proteínas impulsionando a demanda por derivados de leite em diversas categorias.

- No Oriente Médio, mercados como da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos combinam forte poder de compra, com limitada produção doméstica, criando uma demanda constante por lácteos importados.

- Austrália, mesmo sendo um tradicional exportador de lácteos, é um importante mercado para certos produtos lácteos estadunidense, particularmente ingredientes de alto valor agregado e queijos especializados.

Resumindo

A indústria de laticínios dos EUA se prepara para um futuro diferente de seu passado. Menos fazendas produzirão mais leite. O processamento ficará concentrado em instalações cada vez maiores, eficientes e mais automatizadas. As exportações desempenharão um papel central, paralelamente a uma demanda interna robusta.

É uma transformação impulsionada pela demanda dos consumidores por proteína, viabilizada pela tecnologia e pela genética e investimentos sem precedentes.

A confiança é baseada em evidências do consumo per capita recorde, exportações crescentes, melhoria na qualidade do leite, ganho de produtividade e cinco anos de resiliência do setor diante de desafios extraordinários.

A questão não é se a indústria atingirá seus objetivos. É se todas as variáveis – produção, processamento, mão de obra, infraestrutura, comércio e demanda de mercado – se manterão alinhadas.

Se isso ocorrer, a aposta de US$ 13 bilhões terá valido a pena.

Por enquanto, no entanto, é uma aposta no crescimento, feita com dinheiro real, investimentos reais e a firme convicção de que melhores dias virão para a indústria de laticínios.

Matéria na íntegra.

Fonte: Dairy Herd       Tradução livre: www.terraviva.com.br

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