CE - Rebanho e produtividade disparam e cadeia leiteira cearense se reinventa em 20 anos
Levantamento aponta crescimento de 59% no rebanho e salto de 109% na produtividade; inspeção municipal ganha força e descentraliza fiscalização.

A
pecuária leiteira do Ceará passou por uma verdadeira revolução nas
últimas duas décadas. Dados compilados de 2004 a 2024 revelam não apenas um
crescimento expressivo no volume de leite produzido, mas uma profunda mudança
estrutural no perfil dos produtores e na geografia da fiscalização do setor.
O expressivo crescimento do rebanho aliado à elevação da produtividade é o termômetro mais claro da profissionalização da atividade cearense. O pecuarista de leite deixa de ser um produtor amador e adota técnicas de manejo, nutrição e genética que elevam a eficiência do rebanho.
O que os números indicam
Em números absolutos, o Serviço de Inspeção Federal (SIF) segue na liderança da captação, com 248,3 milhões de litros adquiridos em 2024. Contudo, a grande novidade fica por conta do avanço percentual do Serviço de Inspeção Municipal (SIM), que saiu de uma captação de apenas 816 litros em 2004 para 30.135 litros em 2024, representando um aumento impactante de 3.593% no período.
O crescimento constante do SIM e do Serviço de Inspeção Estadual (SIE) sugere uma clara descentralização da fiscalização. Os laticínios de abrangência municipal e estadual ganham espaços importantes, se colocando como alternativa frente ao sistema federal, fortalecendo as economias locais e permitindo que pequenos e médios produtores escoem sua produção com mais agilidade.
Tudo isso, no entanto, está longe de representar uma situação ideal. Ao se observarem os dados do IBGE, constata-se uma diferença expressiva entre a quantidade de leite produzido e o volume efetivamente adquirido pela indústria formal do estado, de fato, se produziu 1.209.687.000 (bilhões) de litros de leite em 2024 e, por outro lado se processou nos sitemas de fiscalização apenas 418.722.000 (milhões) de litros. Não é possível afirmar, com precisão, quanto desse volume é consumido pelas próprias famílias produtoras, quanto é comercializado com estados vizinhos ou qual a real dimensão da informalidade no setor.
















