Mapa do leite redesenhado nos Estados Unidos da América (EUA)
Hoje,74% da produção total de leite está concentrada em 10 estados.

A indústria
de laticínios dos EUA está passando por uma transformação geográfica histórica.
Pela primeira vez, 74% da produção total de leite do país está concentrada em
10 estados e 14 estados respondem por 84% do leite nacional. Essa consolidação sem
precedentes marca uma mudança fundamental na forma e nos locais de produção,
impulsionada pela disponibilidade de água, infraestrutura de processamento e
pelas realidades econômicas da produção moderna de leite.
Os novos
estados do leite
Desde
janeiro de 2023, cinco estado emergiu como grandes receptores da migração da cadeia
láctea: Texas: +76.000 vacas; Idaho: +71.000 vacas; Kansas: + 70.000 vacas;
South Dakota: + 63.000 vacas; Michigan: +32.000 vacas.
Ao mesmo
tempo, regiões tradicionais perderam espaço. Wisconsin, durante anos
considerada a terra do leite das Américas – America’s Dairyland -perdeu 44.000 cabeças.
“Fora
Idaho e Texas, o crescimento da cadeia láctea se dirigiu para regiões onde tem
água”, explicou Cory Geiger, economista chefe do CoBank, durante a Conferência Dairy
Financial no início do mês. “A produção de leite precisa de água. Culturas
agrícolas precisam de água. Vacas precisam de água”.
A
geografia da produção de leite
A
consolidação criou desequilíbrios regionais. O Sudeste – onde está concentrada
26% da população estadunidense distribuída em 16 estados – produz apenas 9% de
todo o leite do país, e o percentual continua em declínio.
A análise
do Cobank revela os estados importadores e exportadores líquidos de produtos
lácteos:
- Os
estados em azul no mapa são autossuficientes em todas as categorias de produtos
lácteos e ainda exportam.
- Os
estados em amarelo produzem leite fluido suficiente, mas não o bastante para
suprir a demanda de produtos industrializados.
- Os
estados em vermelho não produzem leite nem para o consumo direto. Isso
significa que precisam transportar leite fluido de outras regiões – uma operação
dispendiosa visto que “transportar água custa caro”, como observa Geiger.
Idaho,
que é líder na produção per capita de leite, cerca de 8.505 libras por pessoa
anualmente, o que o torna, de longe, o maior exportador de produtos lácteos do
país. Wiscosin ocupa o segundo lugar, e Vermont também figura entre os
primeiros da lista, apesar de seu pequeno porte.
A
relação entre proteína e população
A
disparidade geográfica entre as regiões que produzem leite e onde as pessoas
vivem cria desafios logísticos – e oportunidades.
“A forma
de comercialização de leite nos EUA para atender os consumidores dessas outras
regiões deverá evoluir”, disse Geiger aos participantes da conferência sobre
gestão financeira.
Essa
evolução já está em curso. As exportações de produtos lácteos dos EUA saltaram
de 2 a 3% da produção de leite, em 1995, para 17% atualmente. A produção
doméstica de leite cresceu 44% no mesmo período, significando que a população
está consumindo mais leite e ao mesmo tempo, exportando muito mais.
A
revolução da manteiga de leite
Talvez
nenhuma tendência ilustre melhor a transformação do setor de laticínios do que
a trajetória da manteiga do leite. Em 2010, os EUA importaram 10 milhões de
libras de manteiga. Em 2024, as importações dispararam para 176 milhões de
libras, com a marca irlandesa Kerrygold detendo 65% do mercado.
Então,
tudo mudou.
Em 2025,
os produtores de leite estadunidenses começaram a produzir manteiga de leite em
quantidade suficiente para que o país se transformasse, quase que da noite para
o dia, em um grande importador para exportador de manteiga. E 80% dessas
exportações ocorreram após o mês de agosto.
Fonte: Dairy
Herd e Tradução livre: www.terraviva.com.br
















