EUA se opõem a status para China na OMC
OMC - Os Estados Unidos tentam atrair outros países a endossar uma declaração que na prática rejeita o status de economia de mercado para a China na Organização Mundial do Comércio (OMC) a partir de 12 de dezembro, conforme o Valor apurou. Isso pode ampliar o confronto com Pequim no comércio internacional.
A revisão do status da China na OMC causa preocupação entre parceiros, pela perda de flexibilidade para proteger a indústria doméstica. O tema tomou dimensão maior com a eleição de Donald Trump, que atacou a China e qualificou práticas comerciais de Pequim como "um dos maiores roubos da história mundial". Semana passada, a China rechaçou pressões e avisou que, a partir do dia 12, os outros 160 membros da entidade não poderão mais usar preços e custos de terceiros países para calcular margem de dumping de produtos chineses, nas investigações que abrem. Essa metodologia flexível sempre significou sobretaxa maior contra as importações vindas da China. Agora, Pequim insiste que devem vigorar as regras normais do Acordo de Antidumping da OMC, usando preços e custos chineses que os parceiros dizem ser dopados com subsídios. A delegação chinesa insistiu que não há pré-condições nem critérios para o status de economia de mercado na OMC, e tampouco alternativa ou compromisso sobre a questão. Os EUA se declararam decepcionados com a "indisposição" de Pequim para discutir a questão. Washington circulou uma declaração entre vários países, à espera de adesão, explicitando que os países não têm obrigação de reconhecer a China como economia de mercado em três semanas, quando expira uma provisão do protocolo de adesão chinesa na OMC. A interpretação americana significa que os países podem manter uma metodologia flexível de investigação antidumping, que permitiu durante 15 anos aos parceiros inflar a sobretarifa contra importações procedentes do mercado chinês consideradas deslealmente baratas. Os EUA "encorajam" Pequim a reformar sua economia e limitar intervenções em setores chaves do mercado, afim de reduzir distorções nos preços e custos. O Canadá insistiu em discutir o problema como "uma questão sistêmica", e o México sugeriu aos parceiros construir um "caminho viável" para sair do impasse. No entanto, a resposta à articulação americana tem sido tímida até agora, a se julgar por certas reações, com a maioria dos parceiros evitando confronto direto com o gigante chinês. Por outro lado, negociadores notam que algo precisa ser feito, até para não dar mais força a populistas e um discurso anti-comércio, que culpa a globalização pelo desemprego em vários mercados. Setores industriais na Europa falam de "banho de sangue" a partir do novo status da China na OMC. Para a Aegis Europe, entidade que reúne 30 setores industriais no velho continente, uma nova metodologia que a Comissão Europeia propõe para reforçar a defesa comercial acabaria por torná-los mais vulneráveis. A entidade argumenta que o ônus de provar que um segmento chinês não atua pelas regras de mercado e é dopado com subsídios governamentais passa a ser do reclamante europeu, em investigações antidumping. Recentemente, os EUA denunciaram a China na OMC por causa de taxação de aeronaves, restrições na exportação de matérias-primas e por subsídios agrícolas. A China, por sua vez, avisou que, se os EUA não respeitarem seu status de economia de mercado, Pequim fará uma denúncia na OMC, no que pode ser um dos maiores contenciosos do sistema multilateral de comércio. Além disso, se Trump elevar tarifas contra produtos chineses, Pequim já sinalizou que poderá, por exemplo, substituir encomendas de aparelhos da Boeing por outros da Airbus europeia. Vendas de automóveis, iPhone e outros produtos podem sofrer retaliação, assim como a importação de soja ou milho americano pode ser freada.
















