GLOBALIZAÇÃO E MERCOSUL
Publicado em: 30/04/2026
Fonte: Apresentação: Terra Viva Foto de capa: Bernd Dittrich on UnsplashUE proíbe a presença de transgênicos na farinha de soja argentina e brasileira
A Holanda denunciou quatro carregamentos argentinos e dois brasileiros
de farelo de soja contendo organismos geneticamente modificados (OGM) proibidos, o
que levou a pelo menos três apreensões e fez com que a Argentina questionasse,
na terça-feira, os métodos de teste holandeses, informou a Reuters.
Os resultados destacam a conformidade com os OGM por parte dos maiores fornecedores de ração animal da União
Europeia (UE) e podem impulsionar a demanda por produtos de outras origens,
incluindo os Estados Unidos da América (EUA) e a Ucrânia.
O sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações da Comissão Europeia
mostra quatro notificações de “OGM não aprovado em farelo de soja da Argentina”
este ano, datadas de 14, 17 e 27 de abril e 19 de março.
Também foram detectadas OGMs proibidos provenientes do Brasil,
notificadas em 11 de fevereiro e 22 de abril.
O Brasil é o maior fornecedor de farelo de soja da UE, seguido pela
Argentina.
As respostas foram variadas. As cargas argentinas denunciadas em 19 de
março e 17 de abril e a carga brasileira de 11 de fevereiro foram retiradas,
enquanto o caso da farinha de soja argentina de 14 de abril e a do Brasil de 22
de abril levaram a notificação das autoridades. Nenhuma medida foi relatada até
o momento em relação ao alerta mais recente da Argentina, datado de
segunda-feira.
O Ministério da Agricultura da Argentina afirmou em comunicado enviado à
Reuters que expressou “sérias” preocupações em relação ao método de detecção
utilizado pela Holanda, após a chegada de notificações de casos de HB4 em
remessas de farelo de soja da Argentina e do Brasil para a UE.
A empresa argentina de biotecnologia Bioceres desenvolveu a cepa OGM HB4,
que não é permitida na UE.
O presidente da CIARA-CEC, câmara argentina de esmagadores e
exportadores de grãos, afirmou acreditar que o método de detecção dos
carregamentos rejeitados produziu falsos positivos.
“Não se trata do método patenteado pela Bioceres e, portanto, pode gerar
o que chamamos de “falsos positivos”, ou seja, detecções errôneas”, disse o
presidente da câmara, Gustavo Idigoras. “Acreditamos que é isso que está acontecendo
na Europa”.
Os Países Baixos servem como um importante porto de entrada para
importações de ração animal na UE. Os carregamentos argentinos destinavam-se
principalmente à Bélgica, Alemanha e República Checa, enquanto os brasileiros
também tinham como destino a França, Itália e Luxemburgo.
Os alertas não especificaram os volumes das cargas nem o OGM específico
detectado.
A UE importou 9,9 milhões de toneladas de farelo de soja do Brasil e 6,9
milhões de toneladas de farelo de soja da Argentina em 2024/25, muito à frente
do terceiro maior fornecedor, a Ucrânia, com 930 mil toneladas, conforme fontes
oficiais.
OGM é um tema controverso na Europa. Embora a UE permita o uso de
ração animal com OGM aprovado, algumas características da soja tolerante à
seca, amplamente cultivada na Argentina, estão atualmente proibidas no bloco.
Em meados de abril, os contratos futuros de farelo de soja nos EUA atingiram seu nível mais alto desde outubro de 2024, mas não ficou claro se isso estava relacionado às retiradas de estoques ou ao aumento dos preços da soja, uma matéria-prima essencial para biocombustíveis, que tem sido impulsionada pela alta do preço do petróleo resultante da guerra com o Irã.
Fonte: The Dairy Site Tradução livre: www.terraviva.com.br














