GLOBALIZAÇÃO E MERCOSUL
Publicado em: 06/05/2026
Fonte: Apresentação: Terra Viva Foto de capa: Photo by Bernd Dittrich on UnsplashCombustível, fertilizante e frete: uma tempestade perfeita para a segurança alimentar
A
instabilidade contínua em importantes rotas marítimas globais, incluindo o
Estreito de Ormuz, impacta fortemente nos preços globais do petróleo, deixando
o diesel – essencial para o transporte de cargas, a agricultura e a
distribuição de alimentos – exposto a uma pressão constante e à incerteza.
A já
escassa oferta de fertilizantes permanece sob pressão, à medida que as cadeias
de suprimentos globais se ajustam às mudanças nos fluxos comerciais e às
tensões geopolíticas. Ao mesmo tempo, o consumidor se confronta com a alta do
custo de vida, modifica suas escolhas de compra buscando se adaptar em
todas as categorias do varejo.
Para as
empresas que levam os alimentos da fazenda às prateleiras, esses não são problemas
separados. Eles surgem simultaneamente e impactam toda a infraestrutura.
“É a tempestade
perfeita, no momento, se formando sobre a segurança alimentar na Austrália, [e
em muitas outras regiões do mundo]. Preços voláteis dos combustíveis, escassez
de fertilizantes e mudanças de hábitos dos consumidores. A cadeia de
suprimentos é instada a absorver tudo de uma só vez”, disse Dave Rubie, Diretor
de Vendas de Sistemas Integrados e Automação Móvel da Dematic.
“As
empresas que lidam bem com a situação são aquelas que já haviam incorporado
flexibilidade em suas operações. As que enfrentam mais dificuldades são aquelas
que estruturaram suas operações em momentos de maior previsibilidade”.
A
Dematic, fornecedora de soluções de automação na Austrália e Nova Zelândia,
disse que o cenário atual acelera uma mudança que já estava em curso: a
consolidação de múltiplas operações de distribuição em menos locais, mais
densos e conectados, frequentemente próximos às unidades de produção com o
objetivo de retirar completamente o frete da equação.
“A forma
mais evidente de proteger uma empresa de alimentos e bebidas da volatilidade do
combustível é reduzir o número de trajetos de caminhões dos quais elas
dependem. Isso representa concentrar o armazenamento e a produção no mesmo
local sempre que possível e consolidar operações que antes estavam dispersas.
Isso significa construir centros de distribuição mais densos, a fim de estocar
mais mercadorias em menor espaço, sem o custo do transporte”, disse Rubie. Esta
abordagem não é apenas teórica. Muitas grandes empresas de alimentos e bebidas
da Austrália já reformularam suas cadeias de suprimentos exatamente com base
nessa lógica – e agora operam com uma vantagem estrutural de custos à medida
que os preços dos combustíveis sobem.
O Centro
de distribuição automatizado da Asahi Beverages em Heathwood, Queensland, é um
dos exemplos mais citados do modelo de consolidação na Austrália. A instalação
reuniu operações dispersas de distribuição em um único local, reduziu drasticamente a movimentação de caminhões entre armazéns e proporcionou 250% de ganho
de produtividade para a empresa.
Outra
líder global de bebidas, a Diageo teve iniciativa semelhante em 2014, com a
justificativa de reduzir o custo de transporte. Essa lógica é ainda mais
válida hoje.
“O que
essas empresas têm em comum é que trataram a cadeia de suprimentos como um
projeto. Questionaram idas e vindas de caminhões e mercadorias, e trabalharam
para reduzir o transporte”, explicou Rubie. E aquelas que o fizeram cinco ou
dez anos atrás, estão mais bem posicionadas hoje.
A
pressão sobre a cadeia de suprimento de alimentos na Austrália não se limita
aos centros de distribuição. Os agricultores enfrentam racionamento de diesel e
não conseguem operar tratores. A escassez de fertilizantes impacta nas
colheitas. Eventos climáticos extremos agravam a pressão sobre produtos
frescos. E os consumidores, olhando para o orçamento familiar mais apertado, optam por produtos congelados e com maior prazo de validade – um padrão
encontrado em todas as recessões anteriores.
A
Austrália enfrenta, hoje, desafios sem precedentes na segurança alimentar, e que a infraestrutura da cadeia de suprimentos do país terá que abosrver ou suportar.
Fonte: Food
Technology & Manufacturing
Tradução
livre: www.terraviva.com.br














