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Publicado em: 08/05/2026
Fonte: Apresentação: Terra Viva Foto de capa: www.terraviva.com.brO Índice de Preços dos Alimentos da FAO sobe pelo terceiro mês consecutivo
O Índice FAO
de Preços de Alimentos (FFPI), que acompanha os preços mundiais de gêneros
alimentícios, registrou média de 130,7 pontos em abril, um aumento de 1,6% em
relação ao nível revisado de março e de 2% em comparação com o ano anterior.
Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO)
divulgado hoje, a alta foi consequência dos elevados custos de energia e às
interrupções causadas pelo conflito no Oriente Médio.
O Índice FAO dos produtos lácteos alcançou a média de 119,6 pontos em abril, queda de 1,3 pontos (1,1%) em relação a março, e permanece 32,1 pontos (21,2%) abaixo do nível de um ano atrás. O declínio foi impulsionado principalmente pela queda internacional nas cotações da manteiga e do queijo, compensando o contínuo aumento dos preços do leite em pó desnatado (SMP) e a estabilidade do preço do leite em pó integral (WMP). Depois de dois meses consecutivos de alta, os preços da manteiga recuaram e os de queijo mantiveram a tendência de baixa, principalmente em decorrência da abundante oferta de leite na União Europeia (UE), em pleno período de produção sazonal, e de um final de temporada bem mais forte do que o previsto na Oceania. Essas condições disponibilizaram quantidades extras de creme e sustentaram maior produção de queijos.
A continuidade da intensa concorrência no mercado internacional teve um peso sobre as cotações, especialmente do queijo. Em sentido contrário seguiram os preços do SMP, alcançando o maior nível desde outubro de 2022, fortalecidos pela demanda de importação dos países do Norte da África, do Oriente Médio e Sudeste Asiático. Paralelamente, os preços do WMP ficaram praticamente inalterados, a nível mundial, com baixas registradas na Oceania, relacionadas a abundante disponibilidade de exportação e de uma demanda moderada dos principais mercados, especialmente da China, o que foi compensado pelas cotações mais firmes na UE.
O índice FAO do preço do açúcar também recuou
4,7% em relação ao mês de março e 21,2% na comparação com abril de 2025. A
queda foi explicada, principalmente, pela expectativa de ampla oferta global na
safra atual, reforçada pela melhora das perspectivas nos países produtores da
Ásia, principalmente China e Tailândia. O início da nova safra no Brasil, o
maior produtor mundial de açúcar, contribuiu ainda mais para a pressão de baixa
sobre os preços do açúcar.
Subiram as
outras três categorias de alimentos.
O Índice FAO dos preços dos cereais subiu
0,8% em relação ao mês de março e 0,4% na comparação interanual, refletindo os
elevados preços dos principais cereais, com exceção do sorgo e da cevada. Os
preços mundiais do trigo aumentaram 0,8%, devido à preocupação com a seca nos Estados Unidos da América (EUA) e a previsão de
chuvas abaixo da média na Austrália. O aumento foi ainda mais reforçado diante
de expectativas de redução do plantio de trigo em 2026, com os agricultores
optando por culturas menos intensivas em meio a alta dos preços dos
fertilizantes, que veio na esteira dos elevados custos de energia e redução da
oferta associada ao fechamento do Estreito de Ormuz. “Apesar das interrupções
relacionadas à crise no Estreito de Ormuz, os sistemas agroalimentares globais
continuam a demonstrar resiliência. Os preços dos cereais aumentaram apenas
moderadamente até o momento, sustentados por estoques relativamente
confortáveis e suprimentos adequados das safras anteriores”, afirmou o
economista-chefe da FAO, Máximo Torero.
Os preços
do milho aumentaram 0,7% diante da oferta sazonalmente mais restrita e por
preocupações climáticas no Brasil e a seca que afetou o plantio em partes dos
EUA. A demanda firme por etanol, em meio aos elevados preços do petróleo cru e
às preocupações contínuas com a disponibilidade de fertilizantes também exerceu
pressão de alta. Em contrapartida, os preços mundiais do sorgo caíram 4%,
principalmente devido à menor demanda global por importações e à melhora nas
perspectivas de oferta nos principais países produtores e exportadores.
O Índice
FAO do Arroz subiu 1,9% em abril, impulsionado pelo aumento do Indica e do
arroz aromático, refletindo o crescimento dos custos de produção e comercialização
na maioria dos países exportadores, após a alta dos preços do petróleo
cru e seus derivados.
O Índice FAO de óleos vegetais aumentou 5,9% em
relação a março, e atingiu o maior nível desde julho de 2022. O aumento foi
impulsionado pela alta nos preços dos óleos de palma, soja, girassol e canola.
O preço do óleo de palma subiu pelo quinto mês consecutivo. A pressão adicional
de alta decorreu de preocupações com a menor produção no Sudeste Asiático nos
próximos meses. Da mesma forma, as cotações globais para os óleos de soja e
canola aumentaram, refletindo, respectivamente, a forte demanda para a produção
de biocombustíveis nos EUA e na UE. Os preços do óleo de girassol foram
sustentados pela persistente escassez de oferta na região do Mar Negro,
enquanto as cotações na Argentina recuaram um pouco, uma vez que o aumento
sazonal da atividade de esmagamento impulsionou a oferta para exportação.
O Índice FAO de carnes atingiu a média
de 129,4 pontos em abril, aumento de 1,6 pontos (1,2%) em relação a março e 7,9
pontos (6,4%) na comparação interanual, alcançando um novo recorde. O aumento
foi reflexo da alta dos preços de todas as categorias de carne, com exceção da ovina,
que se manteve estável. Sustentados pelo aumento dos preços de exportação do
Brasil, a carne bovina alcançou um novo pico. Uma pressão adicional foi
decorrente do aumento da demanda internacional, especialmente da China, onde as
cotas de importação sob um novo quadro de salvaguardas de três anos estão sendo
rapidamente preenchidas.
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Fonte: FAO
– Tradução livre: Terra Viva














