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Como a bomba de gasolina impacta no corredor de laticínios

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Publicado em: 22/05/2026

Fonte: Apresentação: Terra Viva Imagem de capa: Nadia Ganzhyi on Unsplash

Como a bomba de gasolina impacta no corredor de laticínios

O consumidor foge dos restaurantes e vão para a cozinha de casa.

O digital das bombas de gasolina tem um estranho efeito no apetite do consumidor antes mesmo de chegar ao supermercado. Para as famílias estadunidenses, o atual cenário econômico é uma série de gatilhos interligados. Os altos preços dos combustíveis e a inflação resultam em uma mudança silenciosa na forma como as pessoas se alimentam.

Para uma observação casual, pode parecer um boicote aos laticínios. O volume de vendas muda e a indústria se prepara para o impacto. Mas como avalia Bem Laine, analista sênior de laticínios da Terrain, a realidade é muito mais complexa do que uma simples troca por produtos mais baratos. Os consumidores não estão necessariamente deixando de gostar de leite, queijo e manteiga; eles estão simplesmente mudando a forma como os consomem.

A psicologia muda para “Fique em casa”

Os dados mais recentes pintam um quadro sombrio da situação financeira dos estadunidenses. A inflação da alimentação fora de casa – o setor de restaurantes – subiu 3,6% em relação ao ano anterior. Enquanto isso, a alimentação em casa teve aumento mais modesto 2,9%. Nos supermercados surgem dados surpreendentes: os preços dos laticínios atualmente caíram 0,6%.

Teoricamente, uma pechincha. Na seção de refrigerados, o preço do galão de leite ou um pedaço de cheddar ficou estável, ou até mesmo caiu. E então vem a pergunta, por que a demanda diminuiu?

A resposta está relacionada ao peso psicológico do preço da gasolina. Quando o consumidor gasta US$ 20 extra para completar o tanque, ele não olha necessariamente para a lista de compras do supermercado, como um corte do iogurte. Ele suspende a saída de sexta-feira à noite. Ele cancelar a reserva da churrascaria, e deixa de passar pelos fast-food para comprar uma porção de burrito, ou então de tomar café com leite matinal no drive-thru.

“Mesmo que os consumidores não estejam vendo necessariamente preços mais altos dos produtos lácteos, assim que começam sentir a pressão da alta dos preços da gasolina e a inflação em geral, a mudança psicológica de não sair e fazer as refeições em casa pode ruir a demanda de produtos lácteos”, explica Laine.

O fator restaurante: a discreta parceria com os produtos lácteos

A indústria de laticínios estadunidense está intrinsicamente ligada à cozinha profissional. Em casa, os consumidores privilegiam a simplicidade: um copo de leite com cereais, uma fatia de queijo no sanduíche, uma porção de manteiga sobre uma bolacha.

No restaurante, no entanto, o consumo de produtos lácteos triplica. Os restaurantes são os mestres dos lácteos invisíveis. É o creme de leite no molho da massa, o milkshake bem cremoso, o queijo extra derretido no hamburguer gourmet e a manteiga clarificada usada para selar um bife.

 “A maior queda na demanda se deve ao fato de os consumidores ingerirem mais lácteos quando comem fora do que quando preparam sua própria comida em casa”, explica Laine.

Quando o preço da comida nos restaurantes fica 3,6% mais alta, o consumidor se volta para sua cozinha. Mesmo se quando eles compram os mesmos produtos lácteos nos supermercados, eles não replicam em seus pratos a mesma quantidade utilizadas pelos chefs profissionais. Não se trata de uma tomada de decisão consciente, é consequência indireta de um estilo de vida mais frugal. O que não está sendo substituído por uma alternativa mais barata, simplesmente está ficando no estoque porque a pizza para a qual era destino nunca foi pedida.

A segurança dos canais de exportação

Diante das dificuldades do mercado doméstico decorrente do isolamento social, a indústria olha para o futuro. Se o consumidor aperta o cinto, o consumidor global, felizmente, está disposto a gastar mais.

Queijo e manteiga são os dois pilares mais sensíveis do movimento dos restaurantes. As gorduras e proteínas de luxo na gastronomia. O revés dos restaurantes domésticos leva os produtos estadunidenses encontrar um segundo fôlego: as exportações.

No início de 2026, as exportações de queijo e manteiga pelos Estados Unidos da América (EUA) apresentaram um crescimento espetacular. Os mercados emergentes e os parceiros internacionais procuraram os EUA para recompor seus estoques. Essa demanda mundial funcionou como um regulador essencial. A capacidade de embarcar produtos evitou uma superoferta interna, que de outra forma, faria o preço do leite ao produtor despencar.

No entanto, essa segurança também tem suas fragilidades. Os mesmos altos custos de energia que mantêm o consumidor estadunidense em casa também estão elevando o custo do transporte de mercadorias pelo oceano.

Ventos contrários no horizonte

A história dos laticínios 2026 é uma história de transporte. Para levar um bloco de queijo de uma indústria de Wisconsin até o porto da Califórnia e, em seguida atravessar o Pacífico, é necessária uma quantidade imensa de energia.

“As exportações podem ajudar a equilibrar a potencial queda do mercado doméstico”, observa Laine. “Mas elas deverão enfrentar a alta dos custos do transporte, e as economias dos importadores estão igualmente fragilizadas pelo aumento dos custos de energia”,

A indústria de laticínios está atualmente presa em um braço de ferro mundial. De um lado, a demanda sustentada de proteínas e de manteigas estadunidenses de alta qualidade. De outro, a realidade física de um mundo que enfrenta um elevado custo de combustíveis. Se o transporte de manteiga para a Ásia fica mais caro, ou se as economias de países importadores são atingidas pela mesma inflação de energia que afeta os EUA, a segurança das exportações poderá começar a debilitar-se.

Matéria na íntegra.

Fonte: Dairy Herd       Tradução livre: www.terraviva.com.br

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