ESPECIAIS
Produtividade do rebanho leiteiro de Minas Gerais aumentou 123,2% em 20 anos
O número de vacas ordenhadas caiu de 4.546.649 cabeças em 2004 para 3.006.056 em 2024, uma redução de 33,9%. Como resultado, a produtividade média disparou: saltou de 1.457 litros por vaca/ano para 3.254, um ganho de impressionantes 123,2% ao longo do período. Esse crescimento, no entanto, só ganhou força a partir de 2014, quando contabilizou, apenas nesse intervalo, um aumento de 78,9%, impulsionado pela aceleração da redução do rebanho leiteiro, que até então permanecia estagnada.
De 2004 a 2014, Minas Gerais ainda expandia seu rebanho e mantinha a produtividade estável. A diminuição acentuada do rebanho ocorreu a partir de 2014, período em que o número de vacas ordenhadas recuou 33,9%, gerando aumento expressivo de produtividade e mantendo o volume de produção e o leite adquirido sob inspeção praticamente estáveis.
O movimento de reestruturação da produção mineira, iniciado a partir de 2014, resultou em uma produção estagnada nesse período. Entre 2004 e 2014, o crescimento da produção era sustentado pelo elevado número de vacas em ordenha, ainda que com baixa produtividade.
O volume total produzido passou de 6.628.928.000 de litros em 2004 para 9.782.400.000 de litros em 2024, um crescimento de 48,6%, alcançado mesmo com um rebanho significativamente menor. A produção teria sido ainda maior caso o rebanho não tivesse sido tão reduzido; em contrapartida, o custo de produção era mais elevado no período anterior, em razão da baixa produtividade por animal.
- Obs.: Subjacente a esse processo de mudanças estruturais, que ocorreu em quase todos os estados nessa época, está o programa de assistência técnica mais leite saudável, bancado pelo uso de créditos presumidos de Pis e Confins que concretizou a vontade de mudanças estruturais a nível federal que se deu através da Lei nº 13.137/2015 que criou o artigo 9° na Lei 10.925/2004.
A produção total bem como todo leite adquirido sob inspeção, que cresciam entre 2004 e 2014, estagnaram nos patamares daquele ano, com pequenas oscilações desde então.
O indicador mais expressivo de formalização da cadeia é o leite adquirido sob qualquer dos sistemas de inspeção: federal- SIF, estadual-SIE ou municipal-SIM. Em 2004, apenas 4.172.144.000 de litros eram captados por laticínios fiscalizados, o que correspondia a 62,9 % da produção total. Em 2024, esse volume mais que triplicou, atingindo 6.572.648.000 de litros, um crescimento de 57,5%, passando a representar 67,1% de tudo o que foi produzido no Estado. O Sistemas vem avançando em quantidades fiscalizadas de produtos, mais em alguns estados que em outros, em Minas Gerais, por exemplo, se relacionado a alguns outros estados evoluiu menos, ainda que esteja na média nacional.
É fundamental analisar de que forma o leite produzido é ofertado ao mercado em conformidade com as normas higiênico-sanitárias. Daí ser relevante analisar a evolução dos volumes fiscalizados pelos sistemas SIF, SIE e SIM.
- Obs.: existem números de 2025 na pesquisa mensal de leite do IBGE ao leite total fiscalizado, mas estamos aguardando os números da Pesquisa da Produção do IBGE para 2025, de forma podermos fazer uma avaliação completa sem projeções.
Em termos absolutos, Minas Gerais passou de 2.456.784.000 de litros em 2004 para 3.309.752.000 em 2024. Percentualmente, representava 37% da produção mineira em 2004 e ainda responde por 32,8% em 2024, índice próximo, mas abaixo, da média nacional de 29% registrada no mesmo ano, indicando que há estados avançados e outros menos, nesse quesito.
- Obs.: Afinal, Minas com 27,3% da produção nacional de leite em 2024, com certeza tem influência na média nacional, se pensar que o total da região sul, RS+SC+PR, representa 33,4% da produção nacional, onde os indicadores de produtividade e informalidade são superiores à média nacional.
Síntese da evolução e perspectivas
Os números mostram uma clara tendência de profissionalização: menos vacas, muito mais leite por animal, e uma fatia crescente da produção indo para a indústria formal.
O ganho de produtividade de 123,2% em 20 anos coloca o Minas Gerais entre os Estados que evoluíram em eficiência pecuária e maior competividade que deve favorecer ao consumidor e as possibilidades de elevação das exportações. A movimentação, ainda que relativamente modesta em Minas, do SIE e do SIM indicam descentralização da inspeção e fortalecimento de mercados regionais. O desafio para a próxima década é reduzir ainda mais o percentual de leite “não fiscalizado” sobre o total produzido, que em 2024 foi 32,8% e, assim elevar os níveis de conformidade e, portanto, da qualidade do produto que chega à mesa do consumidor.
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