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A temporada 2026/2027 de leite deverá ser marcada por preços e custos elevados na Nova Zelândia
Depois do
forte final da temporada de leite 2025/2026 – impulsionado pelos oito últimos
aumentos no Índice Global Dairy Trade (GDT), a expectativa do Rabobank é de que
o preço inicial do leite ao produtor na estação 2026/27 deverá ser entre NZ$
9,50 e NZ$ 10,00 por quilo de sólidos (kgMS).
O banco alerta, entretanto, que o impacto inflacionário decorrente de instabilidades geopolíticas reduzem as margens dos agricultores, sendo essencial planejamento e controle rigoroso dos custos.
No novo
relatório “Preços elevados do leite, custos mais altos: a equação da margem
para 2026/27”, o banco especializado no setor agroalimentar indica que a
temporada 2025/26 que se encerra agora, gerou uma rentabilidade excepcional,
sustentada pelo sólido desempenho do GDT e bom desempenho dos produtos
lácteos.
“Ao
longo de toda a metade da temporada, o índice GDT recuperou o vigor e essa
força resultou em sucessivas revisões para mais das previsões do preço do leite
pela Fonterra. O ponto médio de NZ$ 9,50/kgMS, em fevereiro, subiu para para
NZ$ 9,70/kgMS em março”, declarou Emma Higgins, analista principal do
RaboResearch e autora da análise.
“A
previsão atual do preço médio do leite ao produtor ficou em NZ$ 9,70/kgMS na
temporada 2025/26, um resultado bastante promissor para os produtores de leite.
Também os fornecedores da Fonterra, terão retorno importante de capital e
dividendos robustos constituindo uma base sólida para o próximo período”.
Para a
campanha 2026/27 prevemos um preço de abertura entre NZ$ 9,50 e NZ$ 10,00/kgMS.
Margens
A expectativa para 2026/27 é de um outro ano lucrativo,
disse Higgins, mas os agricultores da Nova Zelândia iniciarão a nova temporada, em 1º de junho, pressionados por uma significativa redução da margem de lucro
como consequência da inflação persistente sobre os custos de um modo geral.
“A continuidade
do fechamento do Estreito de Ormuz – que já dura quatro meses – cria condições
para que haja uma estagflação como já ocorreu no passado. Inicialmente os
impactos incidiram sobre os preços de energia, que agora se espalham
para insumos essenciais da indústria de laticínios, incluindo diesel,
fertilizantes e bens industriais. Também emergem efeitos secundários com o custo
de energia contaminando toda a economia”, disse ela.
“A
partir de agora, as perspectivas são bem mais incertas, o que justifica um
planejamento abordando cenários diferentes. A variável chave é o tempo que irão
durar os conflitos: persistindo um fechamento por longo prazo a normalização
dos mercados de energia e insumos será desigual e lento”.
“As
pressões inflacionárias e o enfraquecimento da confiança dos consumidores colocam
à prova a resiliência da demanda sobre os mercados lácteos, e prevemos que isso continuará nos próximos meses”, declarou Higgins.
No entanto, é também possível que, em um cenário de perturbação prolongada, a demanda mundial de importação de alimentos aumente fortemente a fim de garantir segurança alimentar. Os países importadores de energia procuram assegurar suas provisões diante da deterioração do comércio. Isso sustentará, provavelmente, os preços dos produtos lácteos, e o leite em pó tem potencial para alcançar níveis de preços sem precedentes, provocando a alta do preço do leite ao produtor na Nova Zelândia, no curto prazo.
“O
ambiente operacional instável no qual vivem atualmente os agricultores reforça
a necessidade de planejar cenários mais longos que o habitual, tanto para custos como para receitas, e muita cautela sobre os picos dos preços das matérias-primas,
impulsionados pelos choques geopolíticos, que passam a ser estruturais, em vez de
temporários”.
Desaceleração
do crescimento da oferta global
O
relatório do Rabobank observa que a oferta de leite está abundante a nível
global, embora o percentual de crescimento esteja diminuindo.
“Aqui na
Nova Zelândia, a produção de leite 2025/26 deverá ser recorde, com uma produção 4% superior em relação à previsão inicial, no período de 11 meses, até abril de
2026. A produção está a caminho de ultrapassar o recorde anual absoluto estabelecido
na temporada 2020/21”, disse Higgins.
“A
abundância de leite na Nova Zelândia deverá se manter nos primeiros meses da
temporada 2026/27, mas o nível de produção recorde alcançado em 2025/26
dificilmente será ultrapassado”.
“Com base
nos fundamentos atuais, a produção de leite na Nova Zelândia em 2026/27 tem
potencial para aumentar modestamente, ou até 1%. Mas, como sempre, as condições
climáticas, particularmente o risco de El Niño – desempenharão um papel
importante. Poderá ser uma estação que marque o início de uma nova
fase estrutural da produção de leite na Nova Zelândia, caracterizada por um
nível mais elevado. Desde 2014, a produção vem oscilando dentro de uma faixa,
relativamente estreita, no entanto, o desempenho de 2025/26 sugere que esse limite pode ter sido ultrapassado”.
Em
outras regiões, os sinais são de uma reversão gradual do aumento da
oferta de leite que predominou em 2025. “Embora dados preliminares indiquem fortes produções na comparação interanual nos primeiros quatro meses de 2026,
essa expansão está ficando mais moderada. Nos Estados Unidos da América (EUA) a taxa de crescimento diminuiu, mas a produção deverá permanecer elevada ao
longo de 2026, em comparação com outros grandes exportadores. Na Austrália
surgem sinais de recuperação, com melhorias modestas esperadas ao longo do ano”.
“Nossa
previsão continua sendo a de que pressões sobre as margens devem surgir em muitos
dos sete maiores exportadores de produtos lácteos, (Nova Zelândia, Austrália,
EUA, União Europeia, Uruguai, Brasil e Argentina), o que pode restringir o
crescimento da produção de leite no final de 2026 e contribuir para manter os
preços das commodities lácteas em patamares elevados”.
Fonte: Rabobank Tradução livre: www.terraviva.com.br
























