DESTAQUE
As importações de produtos lácteos mantiveram a tendência de alta iniciada em março
É o
terceiro mês consecutivo que as importações, em equivalente litros de leite
(EqL) sobem, na comparação interanual, e a segunda maior quantidade de 2026.
No
acumulado do ano, é o maior volume, em EqL, nos primeiros cinco meses do ano, na
série histórica iniciada em 2006.
Se o
recorde mensal estabelecido em março foi impulsionado por produtos NCM0402,
neste mês de maio, o aumento foi provocado pela compra de Queijos (NCM0406),
que subiu 48,9% na comparação interanual.
As
importações de produtos NCM0402, embora tenham recuado em comparação com o
recorde de março de 2026, permanecem em patamares bastante elevados, e, no
acumulado, constitui um recorde para os cinco primeiros meses do ano.
Em
valores, os recordes também se sucedem. Houve crescimento interanual de 3,25%
no valor gasto com a importação de produtos lácteos. Os produtos NCM04 subiram 4,7%
em relação ao mês anterior, embora tenham ficado ligeiramente abaixo do valor
recorde de março, -0,5%.
E em
valores, subiram, na comparação interanual, tanto a categoria NCM0402, como
NCM0406.
Houve crescimento de 20,9% nos valores gastos com a compra de produtos NCM0402, na comparação com maio de 2025, e no acumulado do ano, o aumento foi de 5,3%.
As maiores
importações foram realizadas pelos Estados de São Paulo e Rondônia. Juntos
responderam por 61,5% das toneladas de produtos NCM0402 importadas pelo Brasil.
Um pouco mais distante surgem, Espírito Santos, Rio Grande do Sul e Minas
Gerais. 13 unidades da federação não importaram e as outras 9 restantes
receberam 8% das cargas de produtos NCM0402 destinadas ao Brasil.
As
compras de Queijos (NCM0406) que no primeiro trimestre de 2026, foram mais
reduzidas na comparação interanual, voltaram com força total em abril e maio. Em
valores, subiram 36,1%, em valores, na comparação interanual, e 8,3% em relação
ao mês de abril.
São
Paulo, Rondônia e Pernambuco receberam 70% dos Queijos desembarcados no Brasil.
Cargas importantes também foram enviadas para o Maranhão, Paraná e Santa Catarina. Alguns outros estados receberam quantidades mais modestas e muitos nem importaram Queijos. E ao contrário do que era esperado, não houve grande impacto, ainda, no comércio brasileiro com os países europeus, depois da entrada em vigor do Tratado de Livre Comércio União Europeia-Mercosul. As maiores compras procedentes dos Países Baixos, Itália e França ocorreram em março. O crescimento registrado em abril e maio foram de compras realizadas com nosso principal parceiro do Mercosul, a Argentina.
EXPORTAÇÕES
As
exportações brasileiras, em EqL continuam em mínimos históricos. Nos primeiros
cinco meses de 2026, constituiu o menor volume desde 2018.
Em valores
o quadro não é muito melhor. Embora tenha superado as divisas geradas nos
primeiros cinco meses de 2023 e 2024, o valor acumulado de janeiro a maio de
2026 não alcança o modesto resultado obtido no mesmo período de 2025.
RESULTADOS
Nesse
descompasso entre exportações e importações, o saldo do comércio brasileiro de
produtos lácteos, nos primeiros cinco meses de 2025, em EqL é o pior dos
últimos 20 anos, e corresponde, por exemplo, a todo o leite adquirido pelas
indústrias dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, em 2025.
Em
valores, o saldo negativo de quase US$ 420 milhões, é superior às divisas
totais geradas com exportações de produtos lácteos brasileiros nos últimos 50
meses, e registra o maior déficit da série histórica.
ORIGEM E
DESTINO
As
importações brasileiras de produtos lácteos são oriundas, especialmente do Cone
Sul, que juntos foram responsáveis por 96% dos valores pagos e 97,8% das
toneladas recebidas. O preço médio dos lácteos NCM04 importados pelo Brasil é
de US$ 3.796 a tonelada. Do Cone Sul, eles chegam pelo valor médio de US$ 3.726
a tonelada.
Nos
primeiros cinco meses de 2026, 25% das importações, em valores, foram de
Queijos e 67% de produtos NCM0402.
Embora
em volumes pequenos, as exportações de produtos lácteos brasileiros vão para 89
regiões. O mercado mais importante, em termos de valor, são os Estados Unidos
da América, que responde por 17% dos valores obtidos com remessas de lácteos.
Em volume, a China encabeça os dez principais mercados, mas comprando, especialmente
soro de leite, um produto de baixo valor agregado, é o país que paga o menor
valor médio pela tonelada de produto comprado, US$ 839/tonelada.
As
divisas geradas com as exportações de lácteos se dividem entre cinco, das seis
principais categorias NCM04, em percentuais que variam de 17% a 25%. Somente os
produtos fermentados (NCM0403) apresentam uma participação residual, no cômputo
geral das exportações.
Mas,
mesmo chegando a tantos mercados e com diversidade de produtos, as exportações
brasileiras, em valores, representaram, nos primeiros cinco meses de 2026,
somente 8,3% das importações.
Em EqL,
foi somente 4% de tudo o que foi importado.
























