ESPECIAIS
A Cadeia Produtiva de Leite no Espírito Santo: Uma Revolução em Curso
Nas últimas décadas, o estado vivenciou uma transformação profunda em sua atividade leiteira, em linha com o movimento observado em outras unidades da federação.
Essa transformação passou pela seleção mais criteriosa do rebanho, pela adoção de uma gestão mais eficiente da produção e por um ajuste estrutural que trouxe consequências simultâneas: de um lado, a redução do número de vacas ordenhadas e a queda na produção total; de outro, um ganho expressivo de produtividade.
Entre 2004 e 2014, o setor crescia em volume, mas com produtividade ainda baixa. A partir de 2015, com a contração do rebanho, a produção recuou de forma acentuada — mas a produtividade avançou de maneira significativa.
Considerando
o período de vinte anos, de 2004 a 2024, os dados revelam essa dinâmica com
clareza: o número de vacas ordenhadas caiu de 362.099 para 234.674 cabeças, uma
redução de aproximadamente 36%.
A produção total de leite recuou de 405,7 milhões de litros para 349,5 milhões, queda de cerca de 13,8%. Já a produtividade cresceu de aproximadamente 1,20 para 1,49 litros por cabeça ao ano, um aumento de 25,1%.
O ponto de inflexão foi 2015, quando as mudanças estruturais se intensificaram, favorecendo a eficiência e, consequentemente, as margens ao longo de toda a cadeia.
Trata-se de uma revolução ainda incompleta. É com o tempo e a consolidação dessas novas bases que o crescimento tende a se aprofundar, gerando resultados cada vez mais expressivos para toda a cadeia produtiva estadual.
Vale destacar, contudo, um dado que contraria a tendência da produção: embora o volume produzido tenha recuado 13,8% no período, o leite efetivamente adquirido e processado seguiu trajetória oposta, passou de 222,8 milhões de litros em 2004 para 242,8 milhões em 2024, um crescimento de aproximadamente 9%.
Esse avanço no processamento se refletiu em todos os sistemas de inspeção higiênico-sanitária. O Sistema de Inspeção Federal (SIF) processou 210 milhões de litros em 2024, crescimento de 6,3% em relação a 2004. O Sistema de Inspeção Estadual (SIE) registrou 29,9 milhões de litros, alta de 24,3%. E o Sistema de Inspeção Municipal (SIM), ainda menor em volume, apresentou o crescimento mais expressivo: 171,2%, atingindo 2,8 milhões de litros.
O Espírito Santo mantém sua vocação exportadora e demonstra,
de forma consistente, o esforço de ampliar sua competitividade frente a outros
estados produtores.
Outro avanço relevante é a redução da informalidade no
setor. O ganho de produtividade contribuiu para tornar os preços mais
competitivos, tanto no mercado local quanto nos mercados de exportação,
favorecendo a formalização do comércio final.
A
qualidade do leite também certamente melhorou. A redução do rebanho nas
propriedades direciona naturalmente mais atenção para a saúde animal e para a
eficiência dos processos.
Com maior produtividade, os custos de gestão se diluem, a competitividade aumenta, inclusive em relação ao leite informal, e o consumidor final se beneficia de um produto com mais qualidade, segurança e preço acessível.
O Espírito Santo ingressou, há dez anos, em um ciclo consistente de aumento de produtividade. O caminho à frente aponta para uma cadeia cada vez mais sustentável, eficiente e competitiva.
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