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O risco e não a detecção zero, deve orientar a segurança alimentar
Os patógenos transmitidos por
alimentos são responsáveis por aproximadamente 420.000 mortes e 600 milhões de
casos de doenças anualmente, mas as normas de segurança, frequentemente são focadas
em testes ultrassensíveis na detecção de patógenos, independentemente da ameaça
relativa aos consumidores.
A pesquisa, publicada em 16 de
março na ‘Frontiers in Science’, argumenta que as normas sobre segurança alimentar
precisam ser baseadas em objetivos fundamentados em evidências para garantir um nível de segurança real, em vez de visar ‘risco
zero’, um objetivo não alcançável e nem desejável. A segurança
alimentar deve se concentrar em aspectos relacionados aos riscos.
O estudo detalha como regras focadas
em perigo – aquelas que consideram qualquer detecção de um agente patógeno como
inaceitável, independentemente da dose, da exposição ou da capacidade do
alimento ter propensão à proliferação microbiana – podem desencadear alertas
desproporcionais ao risco real para os consumidores. Em certos casos, os testes
ultrassensíveis detectam quantidades ínfimas de microrganismos ou de toxinas
pouco susceptíveis de provocar uma doença.
Isso pode ensejar desperdício de
alimentos adequados ao consumo e redução da disponibilidade e aceitação de produtos
nutritivos, provocando recalls inúteis que abalam a confiança dos consumidores.
Recalls podem ser instituídos, por excesso de prudência, simplesmente porque
bactérias similares a organismos causadores de doenças são encontradas em
campos de cultivo ou instalações de processamento.
Além dos testes ultrassensíveis,
os autores do estudo destacam a existência de medidas de proteção adicionais susceptíveis
de aumentar o consumo de energia, os custos e reduzir a qualidade nutricional
quando aplicados indiscriminadamente. Temperaturas de armazenamento mais
baixas, embalagens extras e tratamentos térmicos mais agressivos são
salvaguardas importantes, mas devem ser calibrados para alcançar níveis de
risco aceitáveis ou toleráveis, levando em conta as compensações ambientais,
econômicas e nutricionais.
“A ênfase excessiva de testes no
produto final pode desviar a atenção de outras medidas de segurança alimentar
que proporcionem maiores benefícios à saúde pública”, afirma Sriya Sunil, coautora
da pesquisa.
Para enfrentar essa questão, a
equipe advoga mudança da abordagem baseada em perigos para abordagens
direcionadas e baseadas em riscos. No entanto, mesmo as atuais abordagens baseadas
em riscos podem falhar no que diz respeito aos objetivos sociais mais amplos,
incluindo os relacionados à sustentabilidade.
Por exemplo, reduzir a
temperatura de refrigeração dos alimentos pode minimizar os riscos, mas também
aumenta o consumo de energia que está associado às emissões de gases de efeito
estufa (GEE).
Os pesquisadores constataram que
uma abordagem de segurança alimentar baseada em riscos deve estar alinhada
com às questões prioritárias sociais em torno de sistemas de alimentares
sustentáveis, nutritivos e seguros a fim de identificar riscos aceitáveis e
toleráveis.
Para ajudar a estabelecer os riscos
aceitáveis ou toleráveis, disseram, podem ser utilizadas ferramentas
computacionais que incorporam uma vasta quantidade de informações sobre os
riscos à segurança alimentar no sistema de produção de alimentos, assim como os
custos ambientais e econômicos associados.
O desenvolvimento de sistemas
baseados em riscos requer uma colaboração próxima do meio acadêmico, de
governos e indústrias.
“Especialistas das áreas de
ciências sociais, econômicas e biológicas precisam trabalhar juntos para
estabelecer valores alinhados com as prioridades dos consumidores”, disse
Martin Wiedmann, chefe da equipe de pesquisa.
Fonte: The Dairy Site – Tradução
livre: www.terraviva.com.br
























