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O risco e não a detecção zero, deve orientar a segurança alimentar
Fonte: Apresentação: Terra Viva Foto de capa: Trust "Tru" Katsande on Unsplash

O risco e não a detecção zero, deve orientar a segurança alimentar

Diz estudo liderado por pesquisadores da Universidade Cornell.

Os patógenos transmitidos por alimentos são responsáveis por aproximadamente 420.000 mortes e 600 milhões de casos de doenças anualmente, mas as normas de segurança, frequentemente são focadas em testes ultrassensíveis na detecção de patógenos, independentemente da ameaça relativa aos consumidores.

A pesquisa, publicada em 16 de março na ‘Frontiers in Science’, argumenta que as normas sobre segurança alimentar precisam ser baseadas em objetivos fundamentados em evidências para garantir um nível de segurança real, em vez de visar ‘risco zero’, um objetivo não alcançável e nem desejável. A segurança alimentar deve se concentrar em aspectos relacionados aos riscos.

O estudo detalha como regras focadas em perigo – aquelas que consideram qualquer detecção de um agente patógeno como inaceitável, independentemente da dose, da exposição ou da capacidade do alimento ter propensão à proliferação microbiana – podem desencadear alertas desproporcionais ao risco real para os consumidores. Em certos casos, os testes ultrassensíveis detectam quantidades ínfimas de microrganismos ou de toxinas pouco susceptíveis de provocar uma doença.

Isso pode ensejar desperdício de alimentos adequados ao consumo e redução da disponibilidade e aceitação de produtos nutritivos, provocando recalls inúteis que abalam a confiança dos consumidores. Recalls podem ser instituídos, por excesso de prudência, simplesmente porque bactérias similares a organismos causadores de doenças são encontradas em campos de cultivo ou instalações de processamento.

Além dos testes ultrassensíveis, os autores do estudo destacam a existência de medidas de proteção adicionais susceptíveis de aumentar o consumo de energia, os custos e reduzir a qualidade nutricional quando aplicados indiscriminadamente. Temperaturas de armazenamento mais baixas, embalagens extras e tratamentos térmicos mais agressivos são salvaguardas importantes, mas devem ser calibrados para alcançar níveis de risco aceitáveis ou toleráveis, levando em conta as compensações ambientais, econômicas e nutricionais.

“A ênfase excessiva de testes no produto final pode desviar a atenção de outras medidas de segurança alimentar que proporcionem maiores benefícios à saúde pública”, afirma Sriya Sunil, coautora da pesquisa.

Para enfrentar essa questão, a equipe advoga mudança da abordagem baseada em perigos para abordagens direcionadas e baseadas em riscos. No entanto, mesmo as atuais abordagens baseadas em riscos podem falhar no que diz respeito aos objetivos sociais mais amplos, incluindo os relacionados à sustentabilidade.

Por exemplo, reduzir a temperatura de refrigeração dos alimentos pode minimizar os riscos, mas também aumenta o consumo de energia que está associado às emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Os pesquisadores constataram que uma abordagem de segurança alimentar baseada em riscos deve estar alinhada com às questões prioritárias sociais em torno de sistemas de alimentares sustentáveis, nutritivos e seguros a fim de identificar riscos aceitáveis e toleráveis.

Para ajudar a estabelecer os riscos aceitáveis ou toleráveis, disseram, podem ser utilizadas ferramentas computacionais que incorporam uma vasta quantidade de informações sobre os riscos à segurança alimentar no sistema de produção de alimentos, assim como os custos ambientais e econômicos associados.

O desenvolvimento de sistemas baseados em riscos requer uma colaboração próxima do meio acadêmico, de governos e indústrias.

“Especialistas das áreas de ciências sociais, econômicas e biológicas precisam trabalhar juntos para estabelecer valores alinhados com as prioridades dos consumidores”, disse Martin Wiedmann, chefe da equipe de pesquisa.

Fonte: The Dairy Site – Tradução livre: www.terraviva.com.br

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