ESPECIAIS
Leite integral e alimentos de estação para as escolas na UE
No dia
14 de julho encerrou o prazo para apresentar emendas à reforma da Organização
Comum dos Mercados, [um dos 3 pilares da Política Agrícola Comum da União
Europeia (UE)], dispositivo europeu que normatiza os mecanismos de intervenção
e gestão dos mercados agropecuários. Antes de encerrar o prazo, o Sindicato
Unión de Uniones (UyU), que representa os agricultores e pecuaristas da Espanha
apresentou ao Parlamento Europeu um pacote de propostas centrado nos alimentos
que abastecem as cantinas escolares e na capacidade dos agricultores para
negociar em igualdade de condições dentro da cadeia alimentar.
Alimentos
europeus, desde a escola
Entre as
medidas apresentadas, a entidade propõe reforçar o Programa Escolar da UE priorizando
a distribuição de alimentos produzidos na Europa, de época e de qualidade, além
de incluir de forma expressa o leite integral entre os produtos que
podem ser fornecidos para as escolas.
Para o
UyU, este programa não deve se limitar a distribuir alimentos, mas ser uma
ferramenta de educação alimentar que permita às crianças e jovens conhecer a
origem do que consomem, o trabalho dos agricultores e pecuaristas e o valor de
um modelo de produção baseado na qualidade, na proximidade e nos padrões
europeus.
Mais
poder de negociação frente à grande distribuição
A
organização pede que seja reforçado o poder de agricultores e pecuaristas
frente à posição dominante das cadeias de distribuição, com o objetivo de
favorecer relações comerciais mais equilibradas e melhorar a capacidade de
negociação dos produtores. A seu juízo, a reforma da OCM não deve se limitar a
modificar normas de mercado, mas servir para unir a agricultura europeia aos
consumidores e devolver a capacidade de negociação a quem produz os alimentos.
“A Europa
não pode se conformar em produzir alimentos seguros e de maior qualidade para o
mundo se não usufrui deles. Tampouco pode pedir mais dos agricultores e
pecuaristas enquanto sua capacidade de negociação continua sendo desfavorável
diante das grandes cadeias de distribuição de alimentos. Esta reforma da OCM é
uma oportunidade para avançar em uma soberania alimentar de verdade”, afirmou
Luís Cortés, coordenador estatal da UyU.
O
coletivo propõe além disso, fortalecer os instrumentos europeus de gestão de
crises e segurança alimentar, ampliar as normas de comercialização e rotulagem
a novos setores, proteger determinadas denominações frente a usos indevidos e
garantir que as intervenções setoriais continuem contando com financiamento
totalmente europeias.
Segundo
a organização, o processo de negociação aberto agora no Parlamento Europeu será
decisivo para configurar uma OCM capaz de responder à crescente concentração do
poder na cadeia de alimentos, reforçar a resiliência do sistema agroalimentar,
melhorar a resposta ante futuras crises e aproximar a produção europeia dos
consumidores desde a infância.
Fonte: Agrodigital Tradução livre: www.terraviva.com.br
























