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O valor da pecuária se estende muito além das porteiras das fazendas
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O valor da pecuária se estende muito além das porteiras das fazendas
Fonte: Apresentação: Terra Viva Imagem de capa: Megumi Nuchev on Unsplash

O valor da pecuária se estende muito além das porteiras das fazendas

A UE repensa o valor da pecuária de uma perspectiva mais ampla.

Uma das vantagens de trabalhar com as mídias agrícolas é poder alcançar perspectivas além das fronteiras de nosso país. Embora os sistemas agrícolas sejam únicos, os desafios com os quais a agropecuária é confrontada são cada vez mais universais. São políticas climáticas, volatilidade dos mercados, saúde animal, falta de mão de obra ou elevados custos de produção, que os agricultores do mundo inteiro devem superar para chegar ao mesmo objetivo: explorações rentáveis e capazes de resistir às incertezas do futuro.

Por isso, os últimos debates da União Europeia (UE) sobre a pecuária merecem toda nossa atenção.

Apesar dos sistemas de produção e os contextos políticos muito diferentes, muitas das conclusões que emergem das discussões na Europa ganham relevância para o setor primário de todo o mundo.

O debate centrado na nova estratégia da Comissão Europeia para a pecuária mudou. Em vez de questionar se a pecuária tem futuro, políticos, industriais e agricultores se perguntam como os sistemas se tornam mais resilientes, mais eficientes e menos dependentes de insumos externos. Isso representa uma importante distinção.

Por muito tempo, a discussão sobre a pecuária girava, quase que exclusivamente centrada nos impactos ambientais das emissões. A Europa começou a reconhecer que a produção pecuária não pode ser vista isoladamente da segurança alimentar, das economias rurais, biodiversidade e da resiliência estratégica.

O Comissário Europeu para a Agricultura e Alimentação, Christoph Hansen, recolocou no devido lugar a contribuição do setor dentro de seu contexto. A pecuária, destacou ele, gera anualmente € 400 bilhões de faturamento e oferece emprego para aproximadamente sete milhões de pessoas em toda a Europa. Esse mesmo setor é submetido a pressões sobre mudanças climáticas, doenças animais e de objetivos ambientais cada vez mais ambiciosos, fatores que contribuíram para redução de cerca de 10% no efetivo de rebanhos na última década.

Os números são significativos, mas a mensagem subjacente é ainda mais importante. A Europa reconheceu que a redução do rebanho sem considerar as consequências mais amplas cria um conjunto de desafios diferentes. A produção de alimentos não pode simplesmente desaparecer. O emprego rural não será substituído num passe de mágica. As indústrias, os prestadores de serviços, revendedores de máquinas, empresas de transporte e inúmeros setores adjacentes dependem de atividades agropecuárias produtivas. Essa é uma lição que a Nova Zelândia deve ter sempre em mente ao continuar debatendo o uso da terra, as políticas ambientais e o futuro da pecuária baseada em pastagens.

Uma das conversas mais interessantes no programa veio de uma fazenda de produção de leite da Bélgica que fundamentalmente mudou seu negócio logo após a crise do leite de 2009. Em vez de aumentar a escala, a família focou em ser mais autossuficiente. A forragem passou a ser produzida na fazenda, o esterco fertiliza o solo, os animais colhem seu pasto e a comercialização direta reduz a dependência de processadores externos. É um sistema agrícola projetado para reduzir a exposição à volatilidade dos custos de insumos, ao mesmo tempo em que aumenta a resiliência do negócio.

Camille Cosmon resumiu assim: “Simplesmente não faz sentido que sejamos dependentes de soja cultivada do outro lado do mundo. Em muitos aspectos, trata-se de voltar ao início. O que uma vaca come? Pasto”.

Uma visão característica de um produtor antigo da Nova Zelândia. Nossa vantagem competitiva sempre foi baseada no uso mais eficiente das pastagens. No entanto, assim como grande parte do mundo desenvolvido, nos tornamos cada vez mais dependente de insumos importados: ração, fertilizantes, combustíveis, dentre outros. Não é errado adotar novas tecnologias ou melhorar a produtividade, mas a Europa retomou o foco da autossuficiência, uma oportunidade de nos lembrarmos de que a resiliência frequentemente vem com redução da dependência do desnecessário, e não da contínua adição de complexidade.

Matéria na íntegra.

Fonte: interest.co.nz   Tradução livre: www.terraviva.com.br

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