PIB argentino cai 4,2%, mas o pior ainda está por vir
PIB/AR - A economia da Argentina contraiu-se 4,2% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2017. Essa queda ainda é reflexo principalmente da seca que reduziu a produção no campo. Assim, o cenário tende a piorar quando passar a refletir os efeitos da crise cambial, afirmam economias.
"A pior seca dos últimos 50 anos é maior responsável pela contração do PIB no segundo trimestre", afirma Pablo Neira, da Radar Consultora, de Buenos Aires. O economista observa que a atividade do setor agrícola caiu 31,6% na comparação anual, o que explica "80% da queda do PIB nesse período". O restante da contração da economia no segundo trimestre, afirma, deve-se à crise cambial que teve início maio. Descontados os efeitos sazonais, a economia argentina recuou 4% em relação ao primeiro trimestre, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). Os números estão dentro do esperado por consultorias argentinas e também pelas internacionais. A Radar Consultora esperava contração de 3,9% no segundo trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2017. A Oxford Economics previa queda de 4,2% no segundo trimestre, assim como a Capital Economics. Neira prevê queda de 5% no terceiro trimestre e de outros 5% no quarto. A seca pesará menos, mas a crise cambial terá forte impacto na indústria, no consumo e nos investimentos em infraestrutura, afirma. "É difícil dizer com certeza o que vai acontecer no quarto trimestre. Sabemos que a queda do PIB provavelmente será maior, o que mostra que a maior queda trimestral do ano ainda não ocorreu", alerta. A previsão para os próximos quatro trimestres, afirma Martín Kalos, diretor da EPyCA Consultores, é de recessão. "Continuará caindo o poder aquisitivo, aumentando o desemprego e diminuindo os investimentos", argumenta. "Vamos ter um ano inteiro de recessão antes de a economia começar a se recuperar. A previsão é que isso ocorra no segundo semestre do ano que vem, com perspectiva de melhores safras." Ele afirma, no entanto, que a recuperação da economia argentina em 2019 não compensará a queda ao longo de 2018. O Ministério da Economia prevê queda de entre 2% e 2,4% do PIB da Argentina neste ano. Consultorias privadas afirmam que a contração será de ao menos 3%. A Capital Economics fala em contração de 4% em 2018. Para o próximo ano, o governo espera contração de 0,5% do PIB. Economistas privados afirmam, no entanto, que a queda do PIB será de cerca de 1% em 2019. Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do banco americano Goldman Sachs, afirma em relatório que a previsão é de atividade econômica fraca nos próximos trimestres, dada a deterioração dos indicadores de confiança, a inflação alta e as condições fiscais e monetárias mais limitadas. Soma-se a a esse cenário desfavorávelç a lenta recuperação da economia brasileira, que tende a limitar as exportações de bens manufaturados da Argentina para cá, conclui.

















