Crescimento baixo na AL leva a classe média para a pobreza, diz OIT
OIT - América Latina e Caribe têm crescimento econômico insuficiente, que ameaça empurrar muitas pessoas da classe média para a pobreza, sinaliza a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A entidade realiza no Panamá nesta semana (de 2 a 5 de outubro) sua conferência regional, que ocorre a cada quatro anos, com foco no futuro do trabalho.
Em informe para o encontro, o diretor-geral, Guy Rider, cita preocupação por a região não estar respondendo suficientemente rápido à nova revolução tecnológica e pelo seu impacto no emprego, na qualificação e na renda da classe média, entre outros fatores.
O informe destaca que, além dos problemas herdados do passado, como enormes diferenças no mercado de trabalho e discriminações, a região precisa enfrentar novos desafios que trazem grandes transformações no mundo do emprego, como mudanças demográficas, novos paradigmas de produção, novos modelos de negócios, novas formas de contratação e exigências ambientais, incluindo o impacto da mudança climática.
Para a OIT, os países da América Latina e do Caribe atravessam uma época caracterizada por padrão de crescimento econômico e social com alta volatilidade, insuficiente inclusão econômica e social, pouca tração nos mercados de trabalho, alta informalidade e desigualdade e sérios problemas na aplicação de direitos trabalhistas.
O desemprego na região afeta 26 milhões de pessoas. Outras 133 milhões estão na economia informal, sem proteção social. Essas cifras são muito influenciadas pelo Brasil, que tem 40% da população economicamente ativa da região.
A produtividade média regional é apenas a metade da dos EUA, e a diferença está aumentando. O produto por trabalhador na região praticamente estagnou nos últimos 30 anos.
A região também envelhece rapidamente. Para a OIT, no médio prazo o crescimento econômico regional deve ser limitado pela desaceleração no ritmo da expansão da população em idade de trabalhar, ao mesmo tempo em que cresce o número de aposentados.
O risco de que amplos setores da população caiam na pobreza depende do ciclo econômico, reitera a OIT. Ela calcula que 65% das pessoas com renda diária entre US$ 4 e US$ 10 e 14% da classe média sofrem de pobreza pelo menos uma vez num período de dez anos.
Pelos cálculos da OIT, para cada 0,1 ponto percentual do PIB, são gerados cerca de 100 mil empregos. Cada ano entram 5 milhões de pessoas no mercado de trabalho na região. Assim, o crescimento econômico deveria ser de 5% apenas para absorver os novos trabalhadores - mas a expansão econômica é estimada em cerca de 2% neste ano e foi de 1,3% em 2017.
No período de bonança, a região ampliou a classe média, considerando quatro categorias: pobreza extrema (ganha até US$ 4 por dia), classe vulnerável (de US$ 4 a US$ 10), classes médias (entre US$ 10 e US$ 50) e classes altas (mais de US$ 50 diários).
Mas a forte contração econômica em 2015 e 2016 teve sérios impactos sociais e econômicos.
Entre questões estruturais e políticas que entravam o diálogo e o desenvolvimento, a OIT menciona "altos níveis de corrupção" e seus efeitos corrosivos sobre a coesão social e a governança democrática.
"Muitas pessoas na região estão sendo deixadas para trás por causa de políticas que frequentemente se tornam grandes obstáculos ao progresso, políticas que normalmente são caracterizadas por um mix tóxico de polarização ideológica, instituições fracas e exacerbadas por recentes escândalos de corrupção", diz o diretor regional da OIT, José Manuel Salazar, em texto distribuído pela entidade.
Essa clivagem social e confrontação política trazem os ingredientes para uma "'tempestade perfeita" ou círculo vicioso que dificulta o progresso, acrescenta.
















