OGM proibidos na alimentação animal são distribuídos na França
OGM/UE – Em torno de 150 toneladas de alimentos para animais contendo organismos geneticamente modificados (OGM) proibidos recentemente pelas autoridades europeias foram distribuídos na França para três fabricantes de ração e 12 agricultores, confirmou o governo no início do mês.
A precisão feita pela Diretoria de Concorrência e de Combate a Fraudes do Ministério das Finanças (DGCCRF), com base em uma pesquisa publicada no dia 23 de novembro pelo jornal Le Monde mostrando que OGM resistentes a antibióticos foram distribuídos em grande quantidade de alimentos para animais em muitos países da Europa, incluindo a França. “De acordo com informações transmitidas por autoridades belgas, de 2 de outubro a 26 de novembro, aparecia que 150 toneladas de alimentos para animais (misturados ou não) foram distribuídos a três fabricantes de alimentos e 12 agricultores”, disse a DGCCRF em email, em resposta a um questionamento feito pela Agência France Press (AFP). “Mais de uma centena de agricultores podem ter comprado”, acrescenta o texto, esclarecendo que parte desses alimentos já foi consumida pelos animais, e que os estoques restantes estão interditados.
O consumo desses alimentos pelos animais não apresenta qualquer risco imediato para o consumidor: a bactéria utilizada e seus genes de resistência não representam risco para o homem, esclarece a DGCCRF. No entanto, “esse tipo de alimento ajuda na difusão no meio ambiente de genes resistentes aos antibióticos”, acrescenta.
A DGCCRF diz que não irá comentar medidas tomadas por outras autoridades europeias, mas, confirma que uma reunião deve ser marcada com a Comissão Europeia. “Será discutido as ações a serem tomadas com o objetivo de harmonizar a gestão ao nível europeu que permita melhor tratamento do assunto”, diz o comunicado.
Na França, as pesquisas em curso para encontrar a pista da bactéria bacillus subtilis KCCM-10445 nas vitaminas B2 utilizadas na alimentação animal são acompanhadas pelos serviços do Ministério da Agricultura (DGAL) e do ministério da economia e finanças (DGCCRF). A vitamina B2, um aditivo alimentar indispensável na alimentação animal, pode ser produzida por OGM que carregam um gene resistente a antibiótico, sabendo que no fim do processo, todos os traços da bactéria devem ser eliminados da alimentação animais. A alimentação animal que contenha traços da bactéria geneticamente modificada não está de acordo com a regulamentação europeia, o que justifica sua eliminação do mercado, destaca a DGCCRF. As autoridades belgas informaram as autoridades francesas da detecção desta bactéria e seus genes resistentes no dia 2 de outubro. Segundo o documento confidencial dos serviços sanitários holandeses ao qual Le Monde teve acesso, entre 800.000 e 1,6 milhões de toneladas de alimentos para alimentação animal estão potencialmente contaminados. A Comissão Europeia suspendeu uma autorização de 19 de setembro e pediu sua retirada do mercado no dia 10 de novembro.
















