Seminário no Museu do Amanhã discute desafios para a segurança alimentar global
Segurança alimentar - O Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ), foi palco, na terça-feira (10), do seminário “Pratodomundo”, que reuniu especialistas de diversas áreas para discutir alternativas propositivas que possam contribuir para a segurança alimentar global.
Com o apoio do Consulado Geral dos Países Baixos, o evento é fruto da exposição “Pratodomundo – Comida para 10 Bilhões”, que tenta responder como será possível alimentar 10 bilhões de seres humanos – população prevista pela ONU para 2050 – com qualidade nutricional, sustentabilidade e distribuição igualitária de comida.
A Embrapa contribuiu com as discussões por meio da participação dos analistas Julio Carlyle, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, e Gustavo Porpino, da Secretaria de Inovação e Negócios (SIN). Ambos foram consultores de conteúdo da exposição, que já recebeu mais de 150 mil visitantes desde sua abertura, em abril, e prossegue até 20 de outubro na sala de exposições temporárias do Museu do Amanhã.
Carlyle participou da mesa sobre a contribuição tecnológica para os desafios, apontando como a biotecnologia pode ajudar na produção de alimentos e no combate às vulnerabilidades da agropecuária em relação às mudanças climáticas. Ele mostrou como a pesquisa agropecuária tem lançado mão de técnicas como a Crispr, para edição de DNA, a associação genômica ampla (GWAS), a biologia sintética e a nanobiotecnologia. “O grande desafio é fazer com que essas tecnologias consigam atingir as regiões que mais precisam, aquelas mais pobres e vulneráveis”, pontuou.
Nesse painel, o diretor de pesquisa da IBM Brasil, Ulisses Mello, também demonstrou o potencial de cinco inovações científicas para melhorar a produção, a distribuição e o consumo de alimentos, como aplicativos de análise rápida de solos, sensores para detecção de patógenos em alimentos, rastreamento de produtos e reciclagem de plástico a nível molecular. O terceiro painelista foi o fundador da foodtech brasileira NoMoo, Marcelo Doin, que produz alimentos veganos como queijos, requeijão, maionese e iogurtes substituindo o leite de origem animal por fontes vegetais.
Na mesa que discutiu questões de saúde e sociedade, Gustavo Porpino refletiu sobre os hábitos de consumo das famílias brasileiras que levam à perda de comida e como a pesquisa e a inovação podem contribuir para evitar o desperdício. O analista liderou projeto sobre desperdício de alimentos nos Diálogos Setoriais União Europeia – Brasil, que deu origem a uma pesquisa realizada em 2018 pela Embrapa e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) junto a 1.764 famílias brasileiras.
Os resultados apontaram uma média de 128,8 Kg de alimentos desperdiçados anualmente por família, ou 41,6 kg por pessoa – acesse aqui o relatório completo. “Chamou a atenção nos resultados que 77% das famílias valorizam muito a comida fresca. E esse gosto explica o não aproveitamento das sobras do arroz e do feijão, principalmente, que são dois dos alimentos mais desperdiçados pelas famílias brasileiras”, destacou Porpino.
Também contribuíram nesse painel Karine Santos, diretora de ações educacionais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão responsável pela merenda escolar no País; o fundador da Associação Brasileira dos Criadores de Insetos (ASBRACI), Casé Oliveira, que lidera pesquisas sobre insetos comestíveis para alimentação humana; além do diretor de sustentabilidade do Carrefour, Lucio Silva.
Novas fronteiras agrícolas foram o tema de outra mesa do seminário, com o pesquisador do Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca (Cedap) de Santa Catarina, Alex Alves; a líder do Centro de Educação Multicultural do Complexo da Penha, Ana Santos, que desenvolve projetos de agricultura urbana no Rio de Janeiro; e Marco de Boer, fundador da ReNature, organização que promove práticas agrícolas sustentáveis, pelo sistema agroflorestal, em diversas regiões do planeta.
















