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Negócios Selectus nº 5785

Qual é o supermercado ideal? Atacarejo e regionais lideram, diz pesquisa

Supermercado ideal - Atacarejo com preços baixos, mercados premium perto de casa, redes com marcas próprias. Os perfis de supermercado são muitos, e para diferentes gostos e bolsos. Mas, na hora de escolher onde fazer as compras, quais os supermercados mais queridos pelos consumidores brasileiros?

Fonte: Newtrade

Um estudo sobre varejo alimentar da consultoria CVA Solutions, que está em sua nona edição, questionou mais de 7.000 consumidores de todo o Brasil sobre seus hábitos e preferências quanto aos supermercados.

O resultado mostrou que atacarejo, isto é, grandes supermercados com preços baixos e que incentivam compras maiores, como Atacadão (do grupo Carrefour) e Assaí (do grupo Pão de Açúcar), e redes de supermercados regionais estão entre os favoritos dos brasileiros.

Atacadão e Assaí foram percebidos pelos clientes como as marcas mais fortes de 2019 e também como as “melhores lojas” — no conjunto da obra entre preço, variedade, localização e outros fatores, como mostra o estudo da CVA.

As preferências dos consumidores reforçam uma tendência já mostrada nos últimos anos, de crescimento de mercados com preços baixos — como uma forma de driblar a crise –, mesmo que sejam menos convenientes e de mais difícil acesso nas cidades. “Já faz alguns anos que o atacarejo cresce mais que a média. É uma relação diferente, o consumidor vai poucas vezes por mês e perde um pouco de conveniência, mas é recompensado pelo preço”, diz Sandro Cimatti, sócio-diretor da CVA Solutions e um dos responsáveis pelo estudo.

O bom momento dos atacarejos é reforçado ainda pelo bom resultado de uma nova marca, o Maxxi Atacado, do grupo Big. Neste ano, a rede foi comprada do fundo Advent, que havia adquirido anteriormente a operação brasileira da americana Walmart (cuja marca no Brasil foi encerrada de vez neste ano). Desde a gestão do Advent, o Maxxi já era uma aposta, em vista do crescimento do atacarejo.

Embora o Maxxi esteja apenas em 57º em força da marca, segmento em que as concorrentes Assaí e Atacadão lideram, a rede ficou até mesmo acima da média na relação custo-benefício (que a pesquisa chama de “valor percebido”). Para Cimatti, é interessante observar o crescimento da rede na lembrança do consumidor. “O Maxxi pode começar a incomodar Assaí e Atacadão neste segmento do atacarejo”, diz o consultor.

Da mesma forma que o atacarejo vem sendo procurado por apresentar bons preços, seguem com força também as redes regionais, por entenderem as necessidades do consumidor e terem construído uma identidade de décadas em seus locais de atuação, mostra a pesquisa.

Entre os supermercados com maior probabilidade de serem recomendados pelos clientes, isto é, com maior Net Recommendation Score, lidera o gaúcho Bourbon, seguido pelo Maxxi, pelo fluminense Guanabara, pelo Nordestão, do Rio Grande do Norte, e pelo paulista Savegnago, de Ribeirão Preto e região. Atacadão e Assaí vêm logo em seguida. Bourbon, Savegnago e Guanabara também estão entre os com maior custo-benefício percebido pelo consumidor.

Tem para todo gosto

O levantamento aponta que, dentre os pontos que mais importam na hora de avaliar um supermercado, estão, em ordem, a variedade de produtos e marcas, preços atraentes, proximidade e conveniência da loja, qualidade dos produtos e promoções. Mas cada rede se destaca em algum fator, e, no geral, quem vai bem em um quesito se sai pior em outro.

Os campeões de variedade são os hipermercados e redes mais premium, como Pão de Açúcar, Zaffari e hipermercado Extra. Já os com preços mais atraentes são Assaí, Atacadão, Dia e Guanabara, todos com mais de 40% de avaliações positivas neste quesito — ante somente 7% do Pão de Açúcar, ou 8% do Zaffari.

O Dia, que foi mal avaliado em variedade e qualidade dos produtos (somente 10% e 13% acham essas categorias positivas, respectivamente), foi bem no quesito preço e inclusive vence os atacarejos (e se equipara às marcas premium) em conveniência, conseguindo ter lojas menores e próximas a grandes centros.

“Cada marca vai ter seu perfil, uma determinada rede nunca vai ser barata, outra nunca terá muita variedade, mas terá preços melhores”, diz Cimatti. O segredo está em balancear a cesta de produtos. “É preciso que elas tomem cuidado e melhorem pontos em que são muito mal vistas para não ficar com uma fama negativa — que nem sempre se justifica, mas gera um imaginário que afeta a percepção do consumidor”, diz o consultor.

A tecnologia bate à porta

O aprimoramento da tecnologia também se tornará cada vez mais essencial à medida em que o varejo alimentar rompe as fronteiras do comércio eletrônico. Segundo o mesmo estudo da CVA, 20% dos clientes afirmam comprar alimentos no comércio eletrônico, ante só 10% na edição anterior do estudo, com dados de 2017.

O Pão de Açúcar, por exemplo, lançou neste ano uma plataforma própria de entregas, o James Delivery. E para além dos aplicativos dos próprios supermercados, parte desses clientes usa também serviços de delivery como do colombiano Rappi, que tem parcerias como com o concorrente Carrefour. O serviço ou integra os produtos de supermercados a seu catálogo, no caso das redes parceiras, ou permite que um entregador busque no supermercado qualquer item que o cliente deseja, ainda que a rede não esteja no portfólio do aplicativo.

Neste contexto, apesar de atacarejos estarem em boa fase na preferência do consumidor, Cimatti aponta que falta a essas redes construir um melhor relacionamento com o consumidor de forma que vá além do bom preço. Algo que marcas mais premium, como Pão de Açúcar e Carrefour, vêm conseguindo fazer melhor, com opções de aplicativo e programas de fidelidade. “Justamente por serem mercados mais afastados e onde o consumidor vai menos, seria importante para os atacarejos melhorarem a tecnologia e o relacionamento”, diz Cimatti.

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