Iniciativas sustentáveis, para hoje e para o futuro
Sustentabilidade – Atualmente, a sustentabilidade é um conceito extremamente importante, devido à crescente conscientização global sobre a limitação dos recursos naturais que produzem alimentos para a crescente população mundial.
Para demonstrar o cuidado com o solo, a água, a energia e o público – e também se manter competitivo – muitas associações de agricultores, empresas e até consórcios internacionais adotaram iniciativas sustentáveis. Um desses programas, o Dairy Sustainability Alliance dos Estados Unidos da América (EUA) e Canadá apresenta seus objetivos.
Em escala global, empresas como Nestlé, Cargill e Unilever criaram a Iniciativa Sustentável da Agricultura (SAI, sua sigla em inglês) para “assegurar que as commodities agrícolas e os ingredientes utilizados por elas venham de fontes sustentáveis” através da Avaliação de Sustentabilidade dos Agricultores da SAI.
Além do impacto ambiental, os programas de sustentabilidade para a indústria de laticínios geralmente incluem bem-estar animal, segurança alimentar, biossegurança, dentre outros cuidados com o meio ambiente. Alguns são obrigatórios e outros voluntários. No Canadá, por exemplo, o SAI fica restrito aos produtores de leite nas fazendas, mas, em outros países, programas como o Dairy Roadmap no Reino Unido, ou o “Sustainable Dairy Chain” na Holanda, e ainda, o Dairy Industry Sustainability Framework da Austrália, os requisitos de sustentabilidade abrange toda a cadeia de abastecimento.
Programas nos EUA
Nos EUA, há mais de uma década, os produtores de leite criaram o Centro de Inovação de Laticínios, que reúne toda a comunidade leiteira do país. O Centro organiza um fórum, chamado Dairy Sustainability Alliance (DSA), composto por diversos segmentos do setor, que abrange 80% da indústria de laticínios dos EUA, ao contar com a participação de 115 organizações, incluindo cooperativas, acadêmicos e organizações não governamentais.
Quando perguntado sobre as realizações mais significativas do Centro, relacionadas à sustentabilidade, Scott Wallim, vice-presidente de relações públicas e gerenciamento de problemas, disse que é a capacidade de reunir lideranças de toda a cadeia de valor. Em 2008, por exemplo, o Centro encomendou uma pesquisa sobre o ciclo de vida do leite fluido, da produção ao consumidor. “O resultado mostrou que a indústria de laticínios dos EUA contribui com aproximadamente 2% das emissões de Gás de Efeito Estufa (GEE) dos EUA”, diz Vallin, a menor média de contribuição de GEE da produção de leite de todo o mundo”. Pesquisadores independentes estão avaliando os GEE em 2020, para ver se a indústria está atingindo a meta de reduzir ainda mais as emissões.

O Centro de Inovação também desenvolveu diversos programas de boas práticas como o “FARM” que é um módulo sobre Manejo Ambiental, que fornece ferramentas e recursos para os produtores de leite medirem e melhorarem as pegadas de carbono. O Centro também oferece o Prêmio anual – US Dairy Sustainability -, que reconhece os esforços para melhorar a sustentabilidade da indústria.
Programas canadenses
O Dairy Farmers of Canada (DFC) tem objetivos similares de sustentabilidade, criando ferramentas como o Dairy Farms+, que possibilita calcular a pegada ambiental da fazenda. O DFC também concluiu, recentemente, um trabalho de coleta de dados sobre o ciclo de vida da indústria, na qual as emissões de GEE geradas por unidade de leite canadense produzido foram comparáveis ou inferiores a outros países, como EUA e França.
A estrela de sustentabilidade canadenses é o programa proAction, de garantia de qualidade. É obrigatório para todas as fazendas de leite, e utiliza a rede e infraestrutura do programa Quality Milk.
A implantação dos seis módulos (Meio-ambiente, Segurança Alimentar, Bem-Estar Animal, Rastreabilidade, Biossegurança) já está completa em todo o Canadá, exceto a Biossegurança (está sendo implantado agora) e Meio Ambiente (que será concluído até setembro de 2021).
Os agricultores têm o prazo de dois para aprender e aplicar adequadamente os requisitos de cada módulo, explica Lucie Boileau, diretora de comunicação do DFC. “Os requisitos são baseados em pesquisa científica e melhores práticas”, observa ela. “À medida que esses componentes evoluem, o proAction se adapta e muda”.
A avaliação independente dos requisitos é realizada por pessoas envolvidas com a indústria de laticínios do Canadá.
Maiores desafios
Os três maiores desafios, diz Boileau, foi equilibrar a praticidade para os agricultores e a credibilidade do programa junto aos agentes envolvidos, além de convencer os produtores dos benefícios do programa.

O DFC lançou recentemente a campanha ‘Dairy Farming Forward’ para demonstrar a sustentabilidade da atividade. Embora o módulo Meio Ambiente ainda não tenha sido completamente implementado, Boileau observa que mais de 70% dos produtores de leite do Canadá já concluíram o Plano Ambiental Agrícola, uma avaliação voluntária com um plano de ação que permite os agricultores avaliarem os riscos da aplicação excessiva de nutrientes na terra. “Sabemos que as melhores práticas já adotada com o proAction incentivarão o aumento da eficiência e irão reduzir a pegada ambiental”, diz Boileau. “Nossa análise do ciclo de vida mostra isso”.
O Canadá tem uma das menores pegadas de carbono e água do mundo na produção de leite e continuam progredindo. Nos últimos cinco anos, a pegada de carbono e de água foram reduzidas em 7% e 6%, respectivamente. Entre 1990 e 2017, as emissões de carbono para a produção de leite reduziu em 27% as emissões de gases, esclareceu Boileau.
A campanha Dairy Farming Forward pretende envolver a geração do milênio, diz Boileau. E, efetivamente, pesquisas independentes encomendadas pelo DFC já mostram que a campanha causou mudança no entendimento da geração do milênio sobre o compromisso dos produtores de leite com práticas agrícolas sustentáveis, os cuidados para o bem-estar animal e preservação do meio ambiente.
















