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Especiais Selectus nº 5821

Golpes baixos na cadeia láctea

Leite sob ataque – A cadeia láctea mundial continua recebendo golpes baixos.

Fonte: TodoElCampo – Tradução livre: Terra Viva

Desde as manifestações de ativistas que se mostram ofendidos pela ordenha de animal até argumentos mais sofisticados, mas, não menos questionáveis, como as mudanças climáticas, tudo parece servir para golpear uma atividade nobre e positiva na produção de um alimento cuja riqueza nutricional está provada cientificamente.

Recente reportagem da agência Bloomberg destaca que “a débil indústria de laticínios” estadunidense recebeu agora um golpe da Starbucks Corp, “a gigante do café quer acostumar seus clientes a usarem alternativas aos lácteos” sob o argumento de “reduzir a pegada de carbono”.

Vale ressaltar que a produção pecuária (leia-se a produção de alimentos) no mundo não é a atividade que gera maior liberação de carbono e que se houver uma vontade sincera de reverter o fenômeno deveria ir com maior contundência à verdadeira raiz do problema.

A reportagem alerta que a Starbucks representa somente 0,3% da produção de leite dos Estados Unidos, mas, a decisão de declarar oficialmente a opção por não lácteos pode levar outros estabelecimentos de venda de alimentos a fazer o mesmo. Se pode impulsionar o consumo de bebidas de aveia, nozes, soja e outras alternativas, por razões ambientais e de saúde.

“Não parece que o questionamento à produção de leite seja a medida mais eficaz para proteger o meio ambiente”, diz a matéria. Parece que no mundo algumas peças foram alinhadas para questionar a produção agrícola em geral, curiosamente, uma das tarefas mais nobres da história da humanidade, que remonta aos primórdios da civilização humana. Pode haver algo mais digno do que produzir alimentos?

Além da nobreza e dignidade que deve ser levada em consideração ao avaliar a questão, existe uma realidade que não é mencionada: a produção agrícola evolui a cada dia, com a adoção de tecnologias e estratégias que tornam uma tarefa cada vez mais amigável com o meio ambiente. Isso não pode ser negado. É um fato da realidade e, ignorar só pode ser por ignorância ou má fé.  

Também a atitude é justificada também por questões de saúde: mais ignorância ou má fé, porque são conhecidos os benefícios do leite na saúde das pessoas, em especial para as crianças.

A Federação Panamericana do Leite (Fepale) divulga permanentemente, com base científica, os benefícios do consumo do leite através da campanha “Sí a la leche” e que TodoElCampo tem citado em mais de uma oportunidade.

São contundentes as evidências de que as bebidas indevidamente chamadas de leites vegetais (aveia, soja, etc) não proporcionam a nutrição necessária para o desenvolvimento das crianças, e tampouco para os adultos. Dois desses nutrientes fundamentais são o cálcio e a vitamina D.

Bloomberg destaca que nos Estados Unidos o consumo de leite de vaca cai em torno de 2% ao ano desde 1970, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Isso causa estragos na produção e na indústria mesmo porque é difícil o reinício da atividade leiteira e a recuperação de todos os elos que se vão perdendo. No Uruguai sabemos muito bem disto.

Mas o dano maior sofre quem é enganado pela publicidade e a moda ecológica, ambiental, bem-estar animal ou como queiram definir, e abandonam os lácteos para consumir produtos vegetais que não têm nada a ver com o leite.

No Uruguai essa tendência negativa sobre os alimentos não está fora de contexto, e já é vista em relação à carne e ao leite e, se não chegou com mais força, certamente o fará muito em breve através da publicidade e da moda crescente.

É responsabilidade do Ministério da Saúde, mas também do Instituto Nacional do Leite (Inale) esclarecer essas questões para que o consumidor tenha todas as informações disponíveis e, ao escolher o que consumir, o faça conscientemente, sejam produtos vegetais ou leite de verdade com todas as suas propriedades.

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