Leite integral é adequado para crianças
Leite integral – Uma revisão de pesquisa da Austrália levantou novamente questões sobre os atuais guias de alimentação para crianças, ao constatar que produtos lácteos integrais não aumentam os riscos de obesidade ou doenças coronárias.
A autora principal do estudo, Therese O’Sullivan, professora da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da Universidade Edith, disse que os resultados destacaram a necessidade de melhores evidências na área de lácteos na nutrição infantil.
“O guia dietético da Austrália e de outros países recomendam que crianças consumam preferencialmente produtos lácteos com baixo teor de gordura para manter o peso saudável e boa saúde cardiovascular”, disse ela.
“Os estudos foram consistentes em mostrar que produtos lácteos integrais não estão associados com o aumento dos níveis de ganho de peso ou obesidade”.
Lácteos com baixo teor de gordura são geralmente recomendados tanto para adultos como para crianças depois de dois anos de idade pelo seu menor teor de energia e gordura saturada.
Se a criança está se desenvolvendo bem, os guias sugerem que os pais mudem para produtos com baixo teor de gordura a partir dos dois anos para proteger a criança de riscos de obesidade e doenças cardiovasculares.
No entanto, o estudo feito pela equipe de O’Sullivan detectaram que crianças que substituem lácteos integrais pelos de baixo teor de gordura, repõem as calorias com gorduras de outros alimentos.
“Isso mostra que os lácteos com baixo teor de gordura suprem parcialmente a gordura total necessária, o que pode levar as crianças a consumirem mais outros alimentos. Os efeitos sobre a saúde irá depender da qualidade dos alimentos substitutos”.
Como a obesidade infantil é um problema sério na Austrália – o governo estima que 28% das crianças e adolescentes estão com sobrepeso ou obesos – nunca foram tão necessárias diretrizes baseadas em evidências, para os pais, lembra O’Sullivan.
“Os pais já estão sobrecarregados com conselhos conflitantes sobre nutrição infantil, especialmente quando se trata do teor de gordura dos lácteos. Precisamos de mais pesquisas de boa qualidade para dar informações com base em evidências científicas, mesmo que isso signifique reavaliar o que pensávamos ou que sabíamos sobre laticínios”, disse ela.
O’Sullivan também disse que leite e derivados integrais podem desempenhar um papel importante em uma dieta equilibrada para crianças em crescimento.
“Os laticínios são fontes de nutrientes essenciais para o desenvolvimento saudável, incluindo proteínas, cálcio, potássio, fósforo e várias vitaminas. Embora as gorduras encontradas nos lácteos integrais sejam, principalmente gorduras saturadas, elas não parecem estar associadas aos mesmos efeitos prejudiciais à saúde observados em gorduras de carnes, por exemplo”, acrescentou ela.
Publicada em Advances in Nutrition, a pesquisa da equipe de Edith Cowan revisou 29 estudos do mundo todo examinando o consumo de produtos lácteos integrais pelas crianças.
Os pesquisadores não descobriram evidências que ligassem o consumo de lácteos integrais a ganho de peso, altas taxas de colesterol ou elevação da pressão sanguínea das crianças. Entretanto, foram estudos observacional, havendo uma lacuna de ensaios confiáveis.
O’Sullivan também lidera outro estudo, o Edith Cown’s Milky Way em colaboração com a Universidade Western Australia e o Instituto Telethon Kids. O ensaio randomizado controlado é o primeiro a investigar os efeitos da ingestão de lácteos integrais por crianças. A expectativa é de que os resultados saem até o meio do ano.
“Para muitas crianças o leite é a parte mais importante de suas dietas, mas não temos evidências suficientes para sugerir se devemos dar a eles produtos lácteos com pouca ou nenhuma gordura”, disse ela quando começou o estudo em 2017.
“Tradicionalmente, pensamos em gordura do leite como sendo uma gordura ruim porque é saturada, mas, à medida que vemos mais evidências, percebemos que nem toda gordura saturada é a mesma e que pode haver algo na gordura do leite que a torne diferente de outras e que, pode, potencialmente, trazer alguns benefícios para a saúde.”
O ensaio envolveu 54 crianças australianas, entre 4 e 6 anos de idade, que receberam lácteos de marcas populares por três meses. Os pais não sabiam se eram de baixo teor de gordura ou integrais. A equipe do Milky Way também acredita que os lácteos integrais podem ajudar na flora intestinal, a saúde do coração, melhorar o colesterol e a pressão sanguínea.
Além disso, eles suspeitam que beber leite integral pode mesmo ajudar no aumento da força da criança, impulsionando a conexão do cérebro com os músculos, para fazê-los funcionar melhor.
A revisão publicada recentemente pela Edith Cown está de acordo com os resultados de outra revisão feito no Canadá em janeiro, observou que crianças que bebiam leite integral tinham um risco 40% menor de estar acima do peso ou obesas.
Nenhum dos 28 estudos de sete países analisados – envolvendo 21.000 crianças entre um e 18 anos – mostrou que crianças que bebiam lácteos com baixo teor de gordura tinham menor risco de sobrepeso ou obesidade.
Em agosto passado, a própria análise da Fundação Australian Heart levou a novas recomendações alimentares sobre laticínios para adultos, concedendo aos lácteos integrais a condição de saudáveis.
Na época o médico da Heart Foundation, Garry Jannings, aconselhou: “Retiramos nossa restrição para os australianos saudáveis ingerirem leite integral, queijo e iogurte. Embora as evidências tenham sido mistas, a gordura desses lácteos teve efeito neutro. Não aumentou nem diminuiu o risco de doença cardiovascular ou acidente vascular cerebral. Por isso, acreditamos que não há evidências suficientes para apoiar a restrição ao leite integral, iogurte e queijo para pessoas saudáveis, pois eles também fornecem nutrientes essenciais como o cálcio”.
De acordo com a Nutrition Australia, a maioria dos australianos não inclui porções de lácteos suficientes em sua dieta. As crianças também precisam aumentar a ingestão de alimentos lácteos para atender às recomendações nutricionais.
















