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Especiais Selectus nº 5857

COVID-19: O que estão fazendo os laticínios?

Abastecimento – À medida que a pandemia do COVID-19 cresce, os governos adotam ações para ajudar a impedir a propagação do vírus.

Fonte: Dairy Reporter – Tradução livre: Terra Viva

No entanto, em muitos países, está ocorrendo o pânico para as compras, deixando as prateleiras vazias de itens considerados essenciais.

Rolos de papel higiênico, sabão, analgésicos, massas, enlatados e alguns produtos lácteos longa vida. Também, produtos longa vida de alternativas ao leite.

Embora os governos adotem medidas para interromper a prática de estocagem, ela ocorre em muitos lugares. O governo tem instrumentos para coibir a lucratividade especulativa de empresas e indivíduos que vendem em plataformas digitais, como o ebay.

No Reino Unido a Autoridade de Concorrência e Mercados (CMA) afirmou que irá fiscalizar evidências de empresas que violem a lei de concorrência e proteção ao consumidor, por exemplo, cobrança de preços abusivos ou fazendo alegações enganosas sobre a eficácia de equipamentos de proteção, e tomará medidas apropriadas.

Andrea Coscelli, diretora-executiva da CMA, disse: “Pedimos aos varejistas comportamento responsável durante o surto de coronavírus e não façam alegações enganosas ou inflacionem os preços”.

A Itália é o epicentro da crise Europeia, e a empresa italiana independente de comércio de lácteos, a Interform, disse ao DairyReporter que para ajudar, disponibilizou gratuitamente seu boletim informativo sobre o setor lácteo.

“Levando em conta que trabalhamos com os principais centros mundiais de comércio de lácteos (a Itália é o segundo maior importador de lácteos do mundo e o sexto maior exportador de laticínios), sofremos o impacto da transição para um bloqueio total devido em um primeiro momento e o impacto disso na cadeia de suprimento de lácteos (aumento de estoque com a queda nas vendas, interrupção da logística de importação/exportação, pedido aos agricultores para entregarem menos leite, etc.).

A empresa percebeu que poucas empresas de laticínios, associações rurais ou industriais, e canais de informação do setor lácteo obtiveram notícias sobre a experiência da Itália. Portanto, “sentimos ser importante que as informações sejam compartilhadas e trocadas para que os produtores de leite e as empresas da cadeia láctea nos países que caminham para o isolamento total possam o usar o tempo disponível para se prepararem”.

A situação muda diariamente, e, algumas empresas emitiram notas a respeito.

Arla Foods

No dia 11 de março o governo dinamarquês anunciou medidas especiais para limitar a propagação do COVID-19. A Arla Foods disse que iria continuar trabalhando para assegurar a continuidade de toda a cadeia de suprimentos, e apoia as autoridades dinamarquesas em seu trabalho para conter a propagação do coronavírus.

“As prioridades da Arla Foods são garantir a continuidade de nossos negócios e garantir a saúde e segurança de todos os nossos colaboradores, tomando as medidas necessárias e trabalhar em estreita colaboração com as autoridades de saúde locais nos mercados em que operamos. No momento, o fluxo da demanda é flutuante, dependendo da região geográfica e do setor do mercado. Mas, nossas linhas de produção estão operando com altos níveis da capacidade instalada. Estamos em contato regular com as autoridades governamentais para ajudar a proteger o nosso povo, a nossa indústria, e manter a circulação de mercadorias através das fronteiras”.  

Valio

Assim como a Arla, a cooperativa finlandesa Valio opera em vários países. Como está se preparando para a pandemia?

“Nas últimas semanas nos preparamos para operar em condições excepcionais causada pelo coronavírus”, disse a empresa.

“Estamos monitorando continuamente o desenvolvimento da situação e tomando as medidas necessárias o mais rápido possível. A Valio tem uma equipe principal que conduz a avaliação da situação. Monitoramos cuidadosamente as instruções emitidas pelas autoridades em todos os países onde a Valio opera e mantemos os funcionários atualizados sobre as mudanças na situação. Na Finlândia estamos monitorando de perto as recomendações emitidas pelo Instituto Finlandês de Saúde e Bem-Estar (THL) e do Ministério de Negócios Estrangeiros”.

A Valio disse que, até agora, em questão de fornecimento, a situação não impactou nas entregas, acrescentando que, se a situação mudar, os clientes serão informados imediatamente.  

Tetra Pak

A empresa de embalagem Tetra Pak também sentiu o impacto.

Seu presidente, Adolfo Orive, disse que o surto COVID-19 é uma ocorrência global sem precedentes.

“Nenhum de nós teve experiência similar à que estamos vivendo agora. Nossa preocupação é com os mais afetados”, disse Orive.

Ele disse que a Tetra Pak está tomando “medidas extraordinárias para cumprir sua promessa de proteger o que é bom”. Para fazer isso, ele disse, são duas prioridades: proteger as pessoas mantendo-as em segurança, incluindo funcionários, clientes e parceiros, e proteger os alimentos, garantindo que a empresa ajude seus clientes a continuidade do suprimento de produtos para as comunidades em todo o mundo.

“Continuaremos a trabalhar com nossos clientes, fornecedores, governos e autoridades locais para alcançar esses dois objetivos”, afirmou.

“Isso inclui medidas de precaução em nossos próprios locais de trabalho e em nossas operações com clientes. Nossa rede global, através das fábricas locais, está trabalhando em conjunto com nossos fornecedores para garantir o fornecimento das linhas completas da Tetra Pak para seus fornecedores. Estamos coordenando com nossos parceiros de logísticas para assegurar a continuidade de embarques para nosso clientes em cenários potencialmente variados”.

EDA

No sábado, a Associação Europeia de Lácteos (EDA) alertou a Comissão da União Europeia e os Estados Membros sobre a vital importância de manter todas as linhas de fornecimento de leite abertas em toda a União Europeia (UE) e além-fronteiras.

“A Comissão da UE reagiu favoravelmente no domingo e agora cabe aos Estados Membros garantir que as operações de coleta, fornecimento e distribuição de leite possam continuar, permitindo que a indústria de laticínios mantenha prateleiras e geladeiras abastecidas”, disse o presidente da EDA, Michel Nalet.

A Comissão da UE publicou diretrizes, incluindo o pedido para que “os Estados-Membros preservem a livre circulação de todas as mercadorias. Em particular, eles devem assegurar o suprimento das cadeias de produtos essenciais, como medicamentos, equipamentos médicos, alimentos essenciais, perecíveis e pecuários... Os Estados Membros devem designar faixas prioritárias para o transporte de mercados e considerar as proibições existentes para os finais de semana”.

A EDA disse que a cadeia de suprimento de lácteos na UE está trabalhando integralmente – com a segurança reforçada para alguns protocolos e alguns atritos na cadeia – e está habilitada a garantir a continuidade da distribuição de leite e produtos lácteos nesse momento de crise, por toda a UE.

Acrescentou que, até o momento, apenas locais de menor produção local foram fechados por falta de pessoa e as restrições nas fronteiras nacionais atrasaram o transporte, mas, não interromperam as linhas de suprimento.

“Leite e derivados são essenciais. Temos de manter as linhas de abastecimento abertas a fim de garantir uma distribuição em toda a UE. E do ponto de vista econômico, pedimos à Comissão da UE que apoie as indústrias de laticínios com os estoques estratégicos por meio das Compras de Intervenção”, disse o secretário geral da EDA, Alexander Anton.

NMPF

Nos Estados Unidos, o presidente da Federação Nacional dos Produtores de Leite, Jim Mulhern, disse: “Os produtores de leite dos Estados Unidos são administradores de um produto que é colhido 24 horas por dia, 365 dias por ano, e eles entendem a importância da produção e do consumo constante.

“A cadeia de abastecimento alimentar dos Estados Unidos é mais do que capaz de atender a demanda e os consumidores devem ser tranquilizados. O leite e seus derivados continuarão a ser produzidos e se manterão disponíveis nas próximas semanas e meses.   

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