Pular para o conteúdo
TerraViva TerraViva®O site do agronegócio do leite desde 1995
Piracanjuba
Especiais Selectus nº 5860

Análise de Conjuntura e Perspectivas do Agro 2020 – leite

Leite e derivados - Em 2019, o mercado brasileiro de leite se mostrou atípico. Na produção, a oferta foi restrita, devido ao clima seco, na maior parte do tempo.

Fonte: IEA - Instituto de Economia Agrícola

A falta de chuvas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste em plena safra, no início do ano, prejudicou os pastos e a produção. No Sul, o excesso de chuvas comprometeu a produção. Na entressafra (maio a novembro), o clima continuou seco e na entrada da safra, ainda na primavera, as chuvas atrasaram, continuando a deixar o mercado desfavorável ao produtor.

Tais fatores levaram à diminuição da produção, geraram alta nos custos e elevaram os preços para o produtor, que ao longo do ano estiveram mais altos do que em 2018.

Segundo resultados iniciais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a quantidade de leite cru adquirido e industrializado, resfriado ou não, em 2019, aumentou 2,3% no Brasil, o que induz que em 2019 houve aumento da produção. Entretanto, esse dado não leva em consideração o leite usado na propriedade nem o vendido na informalidade. Essa quantidade parece ser bastante expressiva.

Segundo levantamento do IBGE, a diferença entre produção e captação formal no Brasil em 2017 ficou em cerca de 9 bilhões de litros, 27,3% do total.

Os dados do IBGE mostram que a produção nos anos de 2017 e 2018 foi estável, não havendo crescimento significativo e que a participação do Estado de São Paulo também se manteve estável, acompanhando o mesmo que ocorreu com a participação da Região Sudeste (Tabela 1).

Análise de Conjuntura e Perspectivas do Agro 2020 – leite

No Estado de São Paulo, o preço médio anual recebido pelos produtores em 2018 e 2019, segundo dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA), foi de R$1,33 e R$1,42, respectivamente, ou seja, 6,6% de diferença, favorável ao pecuarista de leite.

No entanto, essa elevação dos preços e a falta de produto no mercado levaram a indústria a ter dificuldades na captação da matéria-prima e de escoamento de seus estoques. A alta dos preços não conseguiu ser repassada ao consumidor, o que levou a indústria a ceder às redes varejistas para escoar o produto. Este último fator fez com que o preço médio anual do varejo do leite UHT tivesse queda de 3,4%, segundo os dados do IEA, caindo de R$3,38 para R$3,25, pois, devido ao baixo consumo no mercado interno, consequência da situação econômica do país, o consumidor diminuiu sua possibilidade de acesso aos produtos lácteos.

O Estado de São Paulo não produz leite em quantidade suficiente para atender à sua demanda interna e habitualmente compra leite cru dos estados vizinhos (Minas Gerais e Paraná), para processar dentro de seu território. No entanto, apenas esse volume não atende o número de consumidores do estado, sendo necessário complementar o volume necessário com a compra de uma quantidade significativa de leite, principalmente UHT, para abastecer seu mercado.

A partir de 2004, a produção do país, apesar de crescente, não conseguiu mais atender o consumo interno que teve uma expansão do crescimento por conta da melhora do poder de compra da população. Frente a isso, o Brasil precisou aumentar suas importações de lácteos para atender a demanda crescente do mercado interno.

Em 2019, no entanto, as importações brasileiras de lácteos tiveram queda de 7,3% em volume e 7,0% em valor. No Estado de São Paulo diminuíram 11,1% no volume e 17,7% no valor, superior à queda ocorrida no país. Quanto às exportações, que em alguns momentos do ano serviram para desovar o estoque dos laticínios, o Brasil teve um volume 6,3% superior a 2018, mas, em relação ao preço, teve baixa de 2,2%. O volume vendido por São Paulo caiu 2,1% e o valor 2,8%.

A dificuldade de suprir o mercado interno, em 2019, afetou as vendas externas do país, mesmo o Brasil não sendo importante exportador de leite. Alguns analistas apontam que produtores de leite deixaram a atividade no estado paulista, o que pode ter afetado as importações estaduais, ou seja, fez com que o estado precisasse comprar mais produtos no mercado externo.

Para 2020, com as chuvas que chegaram a dezembro de 2019 e continuaram no início do novo ano, os pastos melhoraram, o que abre espaço para perspectivas melhores na produção na região Sudeste, com expectativa de que a produção deve voltar ao normal, ou mesmo crescer. Na região Sul, a estiagem tem comprometido a produção de leite e o milho para silagem. A fumaça das queimadas na Austrália também contribuiu para essa seca e interferiu na possibilidade de melhora da produção. A condição do consumidor, com restrições orçamentárias para o consumo de derivados lácteos, terá papel importante, também, na determinação dos rumos do mercado.

Quanto às exportações, a possibilidade de crescimento está relacionada não só ao aumento da produção, mas também à qualidade do leite nacional e à dinâmica do mercado mundial que tem como fato concreto a seca na Oceania, onde se situa a Nova Zelândia, forte exportadora de leite. Além disso, países como Argentina e Uruguai, que costumam vender para o Brasil, tiveram queda de produção, contribuindo para incentivar o investimento na produção nacional.

G100
Publicidade
Tirolez
Publicidade
Arla Foods Ingredients