Oferta limitada muda cenário de preços
Oferta limitada - O mundo passa por uma crise na saúde e na economia bastante desafiadora. As incertezas têm gerado dificuldades para vislumbrar o futuro, mas alguns fatos já podem ser observados.

No mercado internacional, os preços de produtos lácteos recuaram. O leite em pó integral e desnatado no leilão GDT de 05 de maio fecharam em US$2.745 e US$2.373 por tonelada, respectivamente. Em fevereiro, os preços estavam em US$3.039 e US$2.907 por tonelada.
A produção em países do Hemisfério Norte segue aumentando, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Para países exportadores, a situação está mais complicada, devido aos indicativos de recessão mundial, recuos nos preços de lácteos e menor demanda. Nos EUA, a valorização do dólar frente a outras moedas é um desafio adicional à exportação.
No mercado interno, a oferta de leite segue baixa, em função do período de entressafra, precipitação abaixo do normal na região centro-sul, piora na rentabilidade das fazendas em função do aumento nos custos de produção e recuo nas importações.
A relação de preços leite/concentrado segue piorando para o pecuarista. Em abril/2020 foram necessários 47,6 litros de leite para aquisição de 60 kg de mistura (70% milho e 30% farelo de soja), sendo que em abril/2019 esse valor era de 32,7 litros.
As importações estão pouca competitivas no atual cenário de câmbio desvalorizado. Em abril foram importados o equivalente a 46 milhões de litros de leite, queda de 34% em relação a março e de 44% ante abril/2019, conforme relatório do CILeite.
Pelo lado da demanda, o setor alimentício tem sido o menos afetado durante a pandemia, já que os consumidores têm direcionado o orçamento prioritariamente para alimentação.
Um paralelo neste sentido ocorreu na Espanha, onde o gasto das famílias com alimentos passou de 20% no pré-isolamento para 60% durante o isolamento social, conforme estudo da Universidade de Cambridge. Comportamento similar tem sido observado no mercado brasileiro.
Desde o início do surto do Covid-19 até a primeira semana de maio, o varejo total no Brasil registrou queda de 29,2% no faturamento em relação ao pré-surto. Bens não duráveis foram os menos afetados, com queda de apenas 1,3%. E nessa categoria, o faturamento dos super/hipermercados subiu 17%, sendo o único setor com crescimento (Figura 1).

Pesquisa da Nielsen, até início de abril, mostrou resultados semelhantes, com crescimento nas vendas de alimentos e diversos lácteos. Na mesma direção, pesquisa feita pelo CILeite/Embrapa com 5.105 famílias indicou que a maioria delas manteve o nível de consumo domiciliar de lácteos. Mas a alimentação fora do domicílio tem sido duramente impactada, bem como os laticínios dependentes do foodservice.
Em termos de preços, observa-se que leite em pó e UHT tiveram sua cotação retornada próximo ao patamar pré-covid, após valorização nas primeiras semanas da quarentena. O queijo muçarela registrou queda mais acentuada e segue abaixo do valor pré-Covid, devido às restrições no foodservice.
No mercado Spot, o preço do leite registrou forte queda ao longo de abril. Já em maio, especialmente no final da 1ª quinzena, o Spot registrou elevação importante, o leite UHT e o queijo muçarela também voltaram a subir. São fatos que indicam uma baixa oferta de leite neste momento e um mercado muito equilibrado na relação oferta e demanda.
















