Argentina – “O consumo de lácteos primarizou”
Consumo/AR – O isolamento obrigatório promovido pela pandemia do Covid-19 provocou mudança substancial na matriz argentina de consumo de produtos lácteos.

“Em termos gerais, o consumo foi primarizado devido à maior parte das pessoas concentrarem as compras em menos lugares”, explicou Luciano Di Tella, diretor da pequena indústria de laticínios Yatasti – localizado em Navarro – e ex diretor nacional do Departamento de Lácteos.
Em decorrência do fechamento de restaurantes e pizzarias o consumo de mussarela caiu nos últimos dois meses, e ao mesmo tempo cresceu, de forma significativa, o consumo de queijo cremoso.
“Na maioria dos lares argentinos a mussarela é substituída pelo queijo cremoso porque, além de mais barato, é usado em muitos pratos, entre os quais se inclui a própria pizza”, comentou Di Tella ao Valorsoja. “De qualquer forma, o ocorrido é parte de um fenômeno estrutural, porque o crescimento do consumo do queijo cremoso vem sendo verificado há alguns anos”, acrescentou.
Outros produtos que registraram aumento considerável de vendas foram o leite comum (dado que tem o preço subsidiado pelo governo) e o leite longa vida em embalagens cartonadas (pela necessidade de levar grandes quantidades para diminuir o retorno aos supermercados).
“As vendas de sobremesas, lácteos funcionais e leites achocolatados, entre outros produtos que oferecem um valor a mais ao consumidor perderam vendas na atual conjuntura, assim como também queijos curados, que tinham muito consumo através de empresas de gastronomia e hotéis”, destacou Di Tella.
Outra vítima da pandemia é o doce de leite, porque, ainda que possa ser consumido em casa, a maior parte da demanda desse produto é como ingrediente industrial, sorveterias, fábricas de biscoitos e panificadoras – entre outros consumos – segmentos que enfrentam sérios obstáculos para comercializar seus produtos.
“E, além da perda do poder aquisitivo da população, contribuiu para o fenômeno da primarização do consumo, a opção das pessoas, por razões práticas, de não irem a cinco lugares diferentes para fazer compras. Fazem todas em apenas um lugar”.
As compras feitas pelas plataformas digitais acrescentam outra variável a ser considerada. Elas não têm o efeito tentador, e tendem a restringir o consumo de produtos “extras”. É o canal de venda onde a razão intervém muito mais do que a compulsão.
“As vendas que sofreram o impacto da quarentena começaram a ser restabelecidas nos últimos dias. Fica entretanto, a grande questão que temos pela frente: como enfrentar o excedente de leite na próxima primavera com as exportações interrompidas?”, advertiu o empresário.
















