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Economia Selectus nº 6031

Varejo perde US$ 500 bi no mundo com pandemia

Varejo - Dados de uma pesquisa global publicada ontem pela Euromonitor mostra que a crise sanitária que parou o varejo no mundo deve levar o setor a perder cerca de US$ 500 bilhões em vendas em 2020. O total de vendas cairia 3,5%, para US$ 14,7 trilhões.

Fonte: Valor Econômico
Varejo perde US$ 500 bi no mundo com pandemia

A perda equivale a duas vezes a receita anual da Amazon ou a um ano inteiro de vendas de produtos e serviços da Apple no mundo, calculou o Valor. Pelo relatório, deve ser a única queda do varejo no mundo em quase uma década. Considerando dados passados e projeções, entre 2014 e 2023, o ano de 2020 é o único com recuo no valor faturado pelo varejo global.

“A pandemia exigiu o fechamento temporário de muitas lojas, [levou ao] enfraquecimento da demanda do consumidor e aumentou os custos para muitos revendedores. Os consumidores têm cada vez mais se voltado ao comércio eletrônico durante a pandemia, com mercados como a Coreia do Sul e China registrando forte aumento”, diz a consultoria no relatório. A Euromonitor não publicou estimativas por país. Essa retração global, no entanto, pode ser menor do que aquela a ser registrada no Brasil, considerando as estimativas de associações locais. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), a estimativa é de um encolhimento de 7,7% nas vendas (em valor) neste ano. 

A CNC, confederação nacional do comércio, faz projeções de volume vendido, não de valor. A entidade chegou a estimar queda de 9% e agora considera retração de 3,6% para o ano. Já o levantamento do IBGE tem mostrado sinais de retomada paulatina nos números nos últimos meses, apesar de ocorrer em cima de uma base de comparação fraca, relativa a 2019. O instituto verificou recuo de 0,1% na receita nominal do comércio de janeiro a setembro, sem considerar o efeito da inflação, que avançou nos últimos meses.

Do lado positivo, pesam nos números do Brasil a rápida aceleração do digital, que vem ajudando a recuperar a taxa de crescimento total - apesar de não representar nem 10% das vendas gerais do comércio. O comércio no Brasil tem alta dependência das vendas em lojas físicas. Já do lado negativo, o desempenho das vendas no país ainda carrega os efeitos de uma grave recessão, em 2015 e 2016. A taxa do desemprego chegou a 14,4% no trimestre móvel até agosto, segundo o IBGE.

Por Adriana Mattos — De São Paulo

Foto da capa: Inactive account – ID 263582 por Pixabay

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