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Setorial Selectus nº 6046

A Inflação que Vem do Campo: novembro é o sétimo mês consecutivo de alta nos preços agropecuários no Estado de São Paulo

IqPR - O Índice de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1, 2 fechou novembro de 2020 com forte alta de 6,46%. A importância da cana-de-açúcar na formação do índice de preços recebidos pelo produtor paulista pode ser visualizada quando se exclui esse produto do cálculo. Quando isso ocorre, verifica-se que a magnitude do índice se eleva e, neste caso, o aumento vai para 8,36% no IqPR e 8,95% no IqPR-V (Tabela 1).

Fonte: Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA) / Foto da capa: Pixabay
A Inflação que Vem do Campo: novembro é o sétimo mês consecutivo de alta nos preços agropecuários no Estado de São Paulo
A Inflação que Vem do Campo: novembro é o sétimo mês consecutivo de alta nos preços agropecuários no Estado de São Paulo

Enfatiza-se que, apesar da ascensão entre a primeira e a terceira quadrissemana de novembro (de 4,63% para 7,07%), houve um pequeno declínio na última parcial de fechamento do mês. Espera-se que, contudo, com a introdução do 13º salário na economia e o consequente aquecimento da demanda de alimentos para as festas de final de ano, os preços de dezembro continuem a pressionar o processo inflacionário.  

Numa conjuntura na qual o índice geral de inflação da economia ainda se mantém dentro da meta estipulada pelo governo federal (com a prévia de novembro do IPCA-15 indicar um reajuste de 0,81%, com alta acumulada de 3,13% no ano), alguns fatores explicam essa realidade pela qual passa a agropecuária em 2020. Com destaque, a taxa de câmbio, com a desvalorização do real frente ao dólar, encarece e impulsiona a menor disponibilidade interna de insumos, elevando seus custos de produção: os preços do milho e da soja praticamente dobraram no acumulado de 12 meses (Tabela 2). Reforça esse processo os reajustes no valor do aço em torno de 40%, fato que também tem interferido na reposição os custos de maquinários e implementos no campo.

A Inflação que Vem do Campo: novembro é o sétimo mês consecutivo de alta nos preços agropecuários no Estado de São Paulo

Nessa escalada de ascensão dos preços recebidos pela agropecuária paulista no mês de novembro de 2020, a cultura da batata foi aquela que apresentou o maior reajuste de valores (alta de 35,81% em relação a outubro) (Tabela 2). Pouca oferta no campo e precipitações que dificultaram a colheita nas regiões produtoras foram as alegações mais anotadas nos contatos com nossos informantes.

Já algodão (+18,87%), milho (+16,25%), ovos (+12,54%), amendoim (+11,11%) e soja (+9,54%) apresentaram reajustes em reais sob a interferência direta da valorização do dólar, o que gerou uma maior atratividade de seus escoamentos e/ou dos seus insumos para a exportação em detrimento do mercado interno. O mesmo aconteceu com as carnes suína (8,42%), bovina (8,36%) e de frango (6,70%) (Tabela 2).

ACUMULADO DOS ÚLTIMOS 12 MESES PARA O IQPR

No acumulado de novembro/2019 a novembro/2020, todos os índices apresentaram reajustes positivos (Figura 1).

A Inflação que Vem do Campo: novembro é o sétimo mês consecutivo de alta nos preços agropecuários no Estado de São Paulo

Nesse intervalo, o IqPR variou positivamente em dez meses (Figura 2), num acúmulo de reajuste de 39,11% (Figura 1). Desde o mês de junho/2020, momento ápice do acometimento da população brasileira com o vírus da covid-19, as altas dos índices têm sido cada vez mais elásticas, o que tem colocado em alerta um processo inflacionário no setor alimentar que eleva a pauperização principalmente da parcela da população mais pobre. A alta dos produtos de origem animal (IqPR-A), de quase 50%, numa realidade na qual a renda obtida dos salários estagnou nesse período de pandemia, estipula uma redução drástica do consumo de proteínas.

A Inflação que Vem do Campo: novembro é o sétimo mês consecutivo de alta nos preços agropecuários no Estado de São Paulo

Nesse período de 12 meses, todos os produtos do levantamento tiveram reajustes (a carne de frango não apresentou base de comparação devido à mudança metodológica do levantamento). Mais uma vez se destacou a elevação do preço do arroz que, mesmo tendo terminado novembro com uma variação estável na comparação com outubro, subiu 123,04% no intervalo de 12 meses.

 Acesse aqui a matéria na íntegra

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