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Setorial Selectus nº 6069

Desembolsos de crédito rural já somam R$ 135 bi

Crédito rural - O desembolso de crédito rural manteve o ritmo acelerado no primeiro mês deste ano e já soma R$ 135,3 bilhões desde o início da safra 2020/21, em julho passado. O valor é 17% maior que o liberado no mesmo período da safra anterior, de R$ 115,3 bilhões.

Fonte: Fonte: Valor Econômico | Foto de capa: Pixabay
Desembolsos de crédito rural já somam R$ 135 bi

Só em janeiro, foram R$ 10,8 bilhões emprestados aos produtores, segundo dados do Banco Central compilados pelo Valor. A procura continuou elevada em quase todas as frentes. Os investimentos saltaram para R$ 43,5 bilhões, montante 41% maior que os R$ 30,8 bilhões da safra passada. 

Os valores liberados para custeio chegaram a R$ 72,6 bilhões nos sete primeiros meses da temporada, avanço de 12% em relação ao ciclo 2019/20. Os recursos para industrialização variaram pouco, com R$ 7,6 bilhões, apenas R$ 300 milhões a mais que no período comparado. Já a comercialização foi a única que diminuiu, passando de R$ 12,7 bilhões para R$ 11,5 bilhões. 

Pequenos, médios e grandes produtores contrataram mais crédito no período. Várias linhas de investimentos já foram consumidas, e as instituições financeiras buscam linhas alternativas para atender à demanda do campo. O movimento animou os bancos públicos, principais agentes financiadores desse mercado. 

O Banco do Brasil, líder histórico no crédito rural, emprestou R$ 54,1 bilhões até janeiro, e anunciou nesta semana as cidades onde abrirá 14 novas agências especializadas em agronegócio até março. As unidades serão abertas em Rio Verde (GO), Sorriso (MT), Dourados (MS), Cascavel (PR), Maringá (PR), Londrina (PR), Ponta Grossa (PR), Ijuí (RS), Santa Maria (RS), Passo Fundo (RS), Araçatuba (SP), Presidente Prudente (SP), Ribeirão Preto (SP) e Franca (SP). 

“Queremos prestar o melhor atendimento aos produtores rurais e para o ecossistema agro. Buscamos por meio de consultoria construir de forma conjunta as melhores soluções para seus negócios, seja em questões agronômicas ou questões financeiras”, afirmou o vice-presidente de Agronegócios e Governo do Banco do Brasil, João Rabelo, em nota.

A Caixa Econômica Federal também divulgou a criação de 20 unidades especializadas no agronegócio este ano. O banco vai ofertar R$ 6,5 bilhões em financiamentos ao setor no primeiro semestre de 2021, valor 20% maior que o do ano passado. A aposta é na liberação de empréstimo de pré-custeio para a safra de verão 2021/22, que só será plantada a partir de outubro. 

A antecipação do custeio da próxima safra, segundo a instituição, "possibilita ao produtor de grãos um melhor planejamento financeiro para a aquisição dos insumos", disse em nota. O Caixa aumentou em 33%, para R$ 4,4 bilhões, o volume de crédito rural emprestado de julho a dezembro de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019. De janeiro a dezembro, o salto foi ainda maior, de 73%. 

Foram contratados R$ 7,9 bilhões em financiamentos do setor agropecuário. Mas nem tudo são flores no setor. A agricultura familiar continua reclamando da falta de recursos para a aquisição de máquinas pelo Pronaf Mais Alimentos e de crédito especial para ajudar produtores e agroindústrias afetadas pela estiagem no Sul do país. Os pedidos continuam em análise pelo governo federal, mas outros já foram negados definitivamente. 

"Quase nada do que pedimos foi atendido. Ouvimos que não há recursos”, disse em nota Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul (Fetag-RS). Em um evento online ontem, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse ainda que "trabalha incansavelmente para melhorar a política de recursos para investimentos" do setor. Depois das medidas implementadas pela nova Lei do Agro, ela afirmou que deve haver mais novidades este ano. Durante a tarde, ela teve a primeira agenda oficial com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para discutir propostas para a formulação do Plano Safra 2021/22.

Por Rafael Walendorff — De Brasília

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