Banrisul e BRDE aproveitam a Lei do Agro
Lei do agro - Dois bancos estreantes na operação de recursos equalizados no Plano Safra 2020/21, os únicos “novatos” a apostarem na maior abertura prevista pela nova Lei do Agro, conseguiram uma posição privilegiada a cerca de três meses do encerramento deste ciclo, em 30 de junho.

Enquanto concorrentes penam com o esgotamento precoce do dinheiro para empréstimos a taxas controladas desde meados do ano passado, Banrisul e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) ainda têm caixa para financiar investimentos - categoria com maior crescimento de demanda por parte de pequenos e grandes produtores - com juros subsidiados.
Apesar da aposta do governo federal na MP do Agro (que virou lei em abril) para permitir que instituições financeiras privadas e públicas estaduais pudessem operar os recursos do Tesouro para subvencionar os juros do crédito rural, apenas Banrisul e BRDE entraram nesse barco.
A medida esbarrou no desinteresse dos bancos privados, devido à burocracia, à falta de capilaridade e à maior dificuldade com a fiscalização da aplicação dos recursos. Mesmo com valores pequenos de limite equalizável, Banrisul (R$ 450 milhões) e BRDE (R$ 120 milhões) juntaram-se ao grupo que já era formado por Banco do Brasil (R$ 39,8 bilhões), BNDES (R$ 18,6 bilhões), Sicredi (R$ 12,7 bilhões), Bancoob (R$ 6,2 bilhões) e Cresol (R$ 650 milhões).
O Tesouro usa R$ 11,5 bilhões para equalizar os juros das operações com esse dinheiro. A medida foi considerada frustrada por integrantes do Ministério da Agricultura, pois era tida como um estímulo à competição bancária no setor, capaz de gerar financiamentos mais baratos na ponta.
Quem embarcou na ideia se diz satisfeito. O fôlego nessa reta final da safra 2020/21 com os recursos do Tesouro vai ser um diferencial para o Banrisul, segundo o superintendente de Agronegócios do banco, Robson Oliveira Santos. A disponibilidade do dinheiro subvencionado nesta época é fruto de uma estratégia: desembolsar primeiro os valores de linhas do BNDES e destinar os R$ 450 milhões de limite equalizável só para operações de investimentos.
“O objetivo foi garantir para o produtor do Estado que haveria disponibilidade de recurso, de oferta de financiamento para investimentos mesmo se os recursos do Plano Safra do BNDES acabassem. E foi exatamente isso que aconteceu neste ano e nós estávamos preparados”, disse.
O volume de recursos disponíveis para investimentos no banco, com o aporte da equalização, subiu 67%. Sem revelar valores, o superintendente afirmou que o dinheiro restante será capaz de sustentar operações até o fim da safra. Com remanejamento interno, o Banrisul ampliou a oferta para o Pronaf.
“Temos recursos disponíveis para a agricultura familiar, coisa que bancos que não têm equalização não conseguem fazer. Ainda temos cerca de 50% da dotação inicial para a contratação de máquinas e tratores no Pronaf”. O Banrisul também opera recursos equalizados para financiar irrigação, correção de solos, armazenagem e outros projetos em linhas como Pronamp, ABC, Inovagro, Moderagro, Moderinfra e PCA. No BRDE, metade dos R$ 120 milhões de limite equalizável disponibilizado pelo Tesouro nesta safra já foi desembolsada.
Os outros R$ 60 milhões aguardam a aprovação de propostas pela diretoria colegiada. “É um diferencial, a demanda é muito grande”, contou o superintendente do banco no Paraná, Paulo Starke. Com clientes no portfólio como as 20 maiores cooperativas agropecuárias do Paraná, que faturam no mínimo R$ 300 milhões por ano cada, e uma carteira de R$ 13,5 bilhões, o BRDE quer ampliar o volume de equalização operado em 2021/22. De julho de 2020 até agora, o banco já emprestou R$ 846 milhões, enquanto nos 12 meses da temporada 2019/20 o montante alcançou R$ 783 milhões.
“Já aumentou o desembolso nas linhas do Plano Safra e devemos chegar a R$ 1 bilhão”. Os resultados poderiam ser melhores, realçou Starke, caso os repasses do BNDES não estivessem minguando. Outra dificuldade em 2020 foi a disponibilidade de caixa próprio, já que o BRDE empenhou R$ 900 milhões no socorro a empresas do Sul do país em meio à pandemia. “O governo equaliza só os juros. A dificuldade foi ter recurso para essas operações, pois destinamos parte dos recursos próprios para sustentar o capital de giro das empresas”.
Sem esse limitador e com uma posição de caixa “confortável”, o Banrisul quer ampliar ainda mais a participação no financiamento do agronegócio, e elenca como prioridade continuar a operar os recursos equalizados. “O que precisávamos para emprestar parte desses recursos para o agro em operações de investimentos com prazos mais longos era justamente equalizar o risco de flutuação de juros”, disse Santos.
Há três anos, o banco tinha 7% do mercado de crédito rural do Rio Grande do Sul. A meta é chegar a 20% nos próximos dois anos. Em 2020, a carteira agro da instituição cresceu 27,5%, para R$ 3,4 bilhões. “O ritmo de concessão de crédito rural será maior de agora até o fim de junho, quase 60% de aumento em relação à safra passada”, afirmou. De julho até fevereiro, o Banrisul desembolsou R$ 1,9 bilhão em empréstimos aos produtores. A expectativa é terminar esta safra 2020/21 com até R$ 3,8 bilhões.
Por Rafael Walendorff — De Brasília
















