Desembolsos de recursos no Programa ABC crescem nesta safra
Programa ABC - Os desembolsos de crédito rural no Programa de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) de julho de 2020 até março aumentaram, chegaram a um número maior de produtores e financiaram uma área superior à que foi atendida em toda a safra passada.

Enquanto em todo o ciclo 2019/20 foram acessados R$ 2,048 bilhões por 3,8 mil produtores para atividades em 655 mil hectares, nos nove meses desta temporada já foram mais de 4,4 mil contratos, que tiveram acesso a R$ 2,123 bilhões para fomentar a produção em 817 mil hectares.
Mas o desempenho ainda não é suficiente, na visão de entidades do setor produtivo. A Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, que reúne mais de 280 empresas, organizações e associações, e a Agroicone enviaram sugestões ao governo federal propondo ampliar o alcance do ABC no próximo Plano Safra. Nesta temporada, que terminará em 30 de junho, o programa conta com R$ 2,5 bilhões para financiamentos.
O principal objetivo é que o crédito ajude a incentivar o cumprimento de exigências ambientais e climáticas e acordos internacionais dos quais o Brasil é signatário. Entre as propostas está aumentar a subvenção ao ABC e injetar mais R$ 900 milhões na linha para 2021/22. As entidades também querem um limite equalizável específico de mais R$ 320 milhões para cooperativas de créditos emprestarem no programa, aumentando em R$ 1,22 bilhão o montante disponível.
O documento enviado ao Ministério da Agricultura sugere, ainda, o aprimoramento do Programa ABC com a criação de um subprograma para “correção dos solos” e a inclusão de investimentos em energias renováveis nas propriedades rurais no rol das atividades aptas aos financiamentos. Em eventos públicos recentes, integrantes da Agricultura e do Ministério da Economia têm realçado que, apesar das dificuldades na construção do Plano Safra 2021/22, a intenção é priorizar a subvenção aos pequenos produtores e as linhas com apelo ambiental.
Os desembolsos do ABC aumentaram quase 10% em relação ao que foi emprestado no mesmo período da safra passada (R$ 1,9 bilhão), e seguiram o compasso das demais linhas do Plano Safra. No geral, os produtores rurais acessaram R$ 169,3 bilhões até março, 21% mais que os R$ 139,4 bilhões da temporada passada.
O apetite pelos investimentos continua a ditar o ritmo das contratações. Foram R$ 53,3 bilhões até agora, quase 43% mais que os R$ 37,3 bilhões desembolsados de julho de 2019 a março de 2020. O maior valor foi operado no custeio, com R$ 90,7 bilhões, aumento de 18% em relação ao ciclo passado. Comercialização (R$ 15,5 bilhões) e industrialização (R$ 9,7 bilhões) oscilaram menos, com recuo de 3% e elevação de 6%, respectivamente.
Ontem, o BNDES informou que vai reabrir o protocolo de pedidos de financiamento nas nove linhas do Programa ABC na sexta-feira. Elas estavam suspensas desde dezembro de 2020. Nesta safra, o banco já liberou R$ 941,5 milhões em financiamentos.
















