França – Operação para salvar o queijo tradicional
Queijos/França – Desde o início do confinamento, a cadeia de queijos Origem Protegida (AOP) perdeu 157 milhões de euros em faturamento. Um coletivo de sessenta pessoas da sociedade civil pede apoio aos produtores.


Do Saint-Nectaire ao Rocamadour, passando pelo Munster, o Ossau-iraty, o Neufchâtel, ou o Reblochon, as compras caíram, em média, 60% para todos os queijos de Origem Protegida (AOP) ou Indicações Geográficas Protegidas (IGP). Os consumidores perderam o “prazer” desses produtos e os pontos de venda foram fechados um, após o outro (restaurantes, cantinas, mercados, vendas diretas em zonas turísticas). O varejo em geral responde por 38% das vendas dos queijos tradicionais. Entre 15 de março e 30 de abril, a pandemia causou perda de pelo menos 157 milhões de euros em faturamento, segundo a entidade que representa o setor, o Conselho Nacional de Apelações de Origem Lácteas (CNAOL).
Os queijos de Auvergne dentro da tormenta
A fabricação do Bleu d’Auvergne e do Fourme d’Aubert praticamente parou e 1.500 toneladas desses queijos esperam para serem vendidos. Em torno de um milhão de litros de leite da montanha deverão ser vendidos no mercado internacional da 18 centavos o litro (preço do mercado spot), [R$ 1,08/litro], substituindo os 40 centavos anteriores, [R$ 2,40/litro]! Em abril e maio, pelo menos 40% da produção será vendida pela metade do preço segundo o presidente da Câmara de agricultura de Puy-de-Dôme, David Chauve. Graças a uma modificação das especificações, o Saint-Nectaire poderá ser congelado.
Doações de queijo
Uma situação de grande angústia afeta 10% dos produtores rurais e dos produtores de leite, segundo a CNAOL. O seu leite poderá ser coletado, temporariamente, por outras empresas que não produzem lácteos AOP ou IGP (leite em pó, manteiga ou leite UHT) ou revendidos no mercado spot e até mesmo descartado. Como ocorre com Pierre Villers, produtor do Neufchâtel AOP em Seine-Maritime, que foi afetado pelas cinzas do incêndio Lubrizol. “Em março, descartou 15.000 litros de leite, por falta de pontos de venda. São € 20.000 de queijos”. De acordo com Michel Lacoste, presidente do CNAOL, “10% das 2.000 toneladas dos queijos AOP não vendidos foram doados, 5% destruídos e 35% fundidos”. Outras 1.000 toneladas permanecem sem canais de distribuição.
O apoio de sessenta personalidades
Para evitar a destruição desse “super-estoque” de queijos AOP, que possuem prazo de validade máximo de 8 semanas em 80% dos casos, sessenta pessoas da sociedade civil criaram o coletivo “Apoio aos queijos AOP, nossos terroirs e nossos produtores”. Desde o comediante Thierry Lhermitte aos chefs Régis Marcon ou Marc Veyrat, passando pelo presidente da Federação Francesa de Rugby, Bernard Laporte e o jornalista Périco Légasse se engajaram na defesa do patrimônio queijeiro francês. Uma primeira operação reuniu nas redes sociais o #fromagisson para incentivar a compra de queijos tradicionais.
A distribuição em ação
A cadeia reduziu em 10% a produção de leite. A grande distribuição, principalmente os varejos de bairro, iniciou promoções, instalando balcões refrigerados com maior variedade de queijos pré-embalados. A reabertura dos mercados, dia 11 de maio, deverá recuperar parte das vendas. O CNAOL pede o engajamento para a alimentação escolar e coletiva que devem também comprar queijos AOP. “Esquecidos pelas ajudas ministeriais”, a cadeia pretende se beneficiar da ajuda europeia para o armazenamento privado.
Um setor econômico de peso
Os 50 AOP e 10 IGP representam um faturamento de 2,1 bilhões de euros (ou seja 30% dos queijos) e 10% do leite de vaca (2,4 bilhões de litros), produzidos por 19.500 produtores. “O queijo não é apenas um alimento. É a identidade da França, seu patrimônio, sua história, um know-how particular e único, às vezes produções em condições adversas e regiões difíceis”, explica Michel Lacoste.
















