O Índice FAO do Preço dos Alimentos recua em outubro
Preços de cereais, lácteos e carnes diminuem, em contraste com a forte alta do açúcar.

O Índice FAO
de Preços de Alimentos (FFPI), que acompanha os preços de uma cesta de alimentos
comercializados no mercado mundial, registrou leve queda em outubro, diante de
uma demanda por importação mais fraca, conforme dados divulgados pela Organização
das Nações Unidas para a Alimentação (FAO).
O FFPI
atingiu a média de 133,9 pontos em outubro de 2026, o que representou redução
de 1,6 pontos (1,2%) em relação ao nível revisado de setembro. A queda nos
índices de preços da maioria dos grupos de commodities, compensou, com folga, a
alta acentuada no preço do açúcar e o aumento marginal dos óleos vegetais. Apesar
desse recuo, o índice ficou 5,9% acima do nível registrado em outubro de 2025.
Contudo, está 16,4% abaixo do valor recorde alcançado em março de 2022.
O
Índice FAO dos produtos lácteos atingiu a média de 117,8 pontos em outubro,
queda de 1,3 pontos (1,1%) em relação ao mês precedente, acompanhando o
declínio marginal registrado em setembro. Na comparação interanual houve queda
de 16,9%, embora as cotações do leite em pó desnatado (SMP) terem crescido
45,8% em relação a outubro de 2025.
Na mesma
comparação, os preços da manteiga (butter) e dos queijos registraram quedas de
31,1% e 29,3%, respectivamente, enquanto o leite em pó integral (WMP) manteve a
cotação praticamente inalterada.
O índice
contou com o equilíbrio entre a redução das cotações internacionais de manteiga
e queijo, que compensaram, com folga, os aumentos dos leites em pó. Os mercados
de manteiga e queijo enfraqueceram diante de uma oferta abundante e moderação
da demanda, especialmente na União Europeia (UE), onde os estoques elevados de
manteiga e ampla oferta de queijo continuaram a pressionar os preços para baixo,
apesar dos sinais de desaceleração no crescimento da produção de leite.
A concorrência
estadunidense exerceu uma pressão adicional sobre os preços. Enquanto isso, os
preços do SMP subiram de forma acentuada nas principais regiões exportadoras,
sustentados por uma demanda de importação consistente e oferta limitada
para pronta entrega. Nos Estados Unidos da América (EUA) a forte demanda por SMP,
somada à concorrência pelos sólidos do leite por parte de produtos lácteos
proteicos de maior valor agregado, restringiu a disponibilidade do produto em
pó, apesar da oferta abundante de leite. As cotações do WMP registraram leve
alta, uma vez que os preços mais firmes na Oceania compensaram, com folga, a
pequena queda observada na Europa.
Caíram junto com os produtos lácteos, os índices FAO dos cereais e da carne, mas subiu ligeiramente o índice
de óleos vegetais, e de forma acentuada, o Índice do açúcar.
O
Índice FAO dos cereais caiu 4,5% desde setembro. Os preços mundiais do
trigo declinaram depois de quatro meses consecutivos de aumentos, como reflexo
da demanda contida e perspectivas de maiores produção, especialmente na
Argentina. As expectativas em relação à retomada das exportações através do Mar
Negro também contribuíram para reduzir a pressão sobre os preços, embora as
interrupções logísticas na região tenham produzido um impacto limitado.
As
cotações internacionais do milho também recuaram após atingirem, em setembro, o
patamar mais elevado dos últimos três anos. Esse movimento foi influenciado
pela pressão da colheita dos EUA, pela expectativa de crescimento da oferta na
América do sul e por novas perspectivas de arrefecimento das tensões na região
do Mar Negro. Em compensação, o Índice de Preço do Arroz da FAO registrou
aumento de 1,6% em outubro de 2026, em decorrência do atraso na colheita em
alguns dos principais países exportadores somado à pressão de alta que já vem
sendo exercida pelas condições climáticas adversas e aumento dos custos de
produção.
O Índice FAO de carnes recuou 1,2% em
relação a setembro, mantendo-se ligeiramente acima do nível de um ano atrás. As
cotações recuaram para as carnes suína, ovina e bovina, enquanto os preços da
carne de aves permaneceram, de um modo geral, estáveis.
O Índice FAO de óleos vegetais subiu marginalmente,
0,3% em relação a setembro, com a valorização ocorrida nos óleos de soja e
girassol sendo amplamente compensada pela queda nos preços do óleo de colza. As
cotações do óleo de soja alcançaram os maiores patamares desde o final de 2022,
impulsionadas pela forte demanda do setor de biocombustíveis, junto com a
redução sazonal da oferta na América do Sul.
O índice FAO do preço do açúcar registrou
aumento pelo quarto mês consecutivo e alcançou o seu maior nível desde dezembro
de 2024. Ao subir, 6,6% de setembro para outubro, o Índice FAO do açúcar ficou
28,8% acima do valor de um ano atrás. O aumento foi puxado, principalmente, por
questões relacionadas às interrupções nas operações de colheita e moagem de
cana-de-açúcar, causadas pelas chuvas, na principal região produtora do Brasil,
o Centro-Sul, bem como por preocupações quanto às perspectivas de produção na
Índia, na União Europeia e na Tailândia, para a safra 2026/27.
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Fonte: FAO
– Tradução livre: Terra Viva
















